sexta-feira, 15 de março de 2013

Agressão aos idosos sobe 9 % no Rio.

ISP mostra que 61 mil velhinhos foram vítimas em 2011. Zona Norte lidera o triste ranking

O Relatório da Pessoa Idosa 2012 divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) revela aumento de um dos crimes mais covardes: a violência contra pessoas com mais de 60 anos.

De acordo com a pesquisa, em 2011 — ano base do documento — 61.353 homens e mulheres na faixa etária foram vítimas de agressões.

O aumento de 8,7% dos casos considera dados de todo o estado em relação a 2010, quando 56.464 crimes do tipo foram computados. Em dez anos, foi a primeira vez que a quantidade de vítimas supera 60 mil anuais.

Câmera escondida pela família flagrou, no ano passado, cuidadora de idosos agredindo uma senhora indefesa que passava boa parte do dia na cama.

“Além do aumento real da violência, também contribuem para elevar as estatísticas, denúncias cada vez mais frequentes de vítimas contra seus agressores e a elevação da população de idosos —em 2002 o percentual de idosos no Rio era de 11,7% do total da população do estado e em 2009, pulou para 15%, segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística”, avalia Catarina Noble, titular da Delegacia Especial de Atendimento à Pessoa da Terceira Idade (DEAPTI), única voltada para a terceira idade do estado.

Segundo o estudo, a maioria dos delitos ocorreu na capital, com 54,2% dos registros. A Zona Norte concentrou a maioria das vítimas, com 41% do total; a Zona Oeste aparece em segundo, com 27,5% de vítimas idosas; Zona Sul e Centro em seguida, com 18,5% e 13,1%, respectivamente. O Interior ostentou 19,9% das vítimas e a Baixada Fluminense 15,3%. Em Niterói, total de delitos atingiu 10,6%.

Segundo o relatório entre os delitos que os idosos mais são vítimas estão estelionato (6.288 casos), ameaça (4.746) lesão corporal culposa (3.776), lesão corporal dolosa (3.008), roubo de rua, incluindo em ônibus e de celulares (2.379), desrespeito ao Estatuto do Idoso (458), extorsão (454), homicídio culposo (419), discriminação (330), roubo a residência (292) e abandono (89), entre outros títulos.

Em relação à distribuição das vítimas idosas por Unidade de Polícia Pacificadora, a Cidade de Deus foi a UPP com o maior número de vítimas (115), seguida pelo Salgueiro (68) e Batam (48).

Os crimes que mais vitimizaram pessoas idosas em áreas de UPP foram: lesão corporal dolosa (53 vítimas), ameaça (52) e estelionato (23).
O relatório do ISP foi elaborado com base no banco de dados de Registros de Ocorrências (ROs) das delegacias de Polícia Civil do estado . Pela primeira vez, comunidades com UPPs foram avaliadas no estudo.

Em nota, a Polícia Civil informou que “não há, por enquanto, projeto para implantação de outras delegacias do idoso no estado”. Apesar da única unidade para essa faixa etária estar localizada na Zona Sul, as regiões Norte e Oeste aparecem como mais violentas contra pessoas com ou acima de 60 anos.

“Se tivéssemos mais unidades, obviamente o trabalho se dividiria”, admite a delegada Catarina Noble. Mesmo sem revelar o número de policiais que dispõe, a delegada garante que o efetivo “é suficiente”.( Dia)