quarta-feira, 31 de outubro de 2012

E a História de Sérgio Côrtes ? Quem está falando a verdade ?

Bombeiros desmentem versão de que Sérgio Côrtes estava desmaiado ao ser levado para hospital particular
Bombeiros de quatro quartéis foram acionados para apagar o incêndio no apartamento de Côrtes .

O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, estava acordado e consciente no momento em que foi levado por uma ambulância do Samu para um hospital particular em vez de uma emergência pública de referência, quebrando uma norma do Corpo de Bombeiros. Quatro bombeiros dos quartéis envolvidos no socorro desmontaram a versão de que Côrtes estaria desmaiado e, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria estadual de Saúde, teve sua remoção decidida pela família.

— Eu estava subindo para a cobertura, encontrei com ele (Côrtes) na escada. Estava descendo sozinho — contou um dos bombeiros.

Já no térreo, o secretário foi visto lúcido e falando.
— Ele estava acordado, bonitinho. Saiu benzão do prédio, de olho aberto. Vivinho — contou outro, que, a exemplo dos demais, aceitou dar entrevista gravada para o EXTRA, desde que sua identidade fosse preservada.

Os carros de combate a incêndio não paravam de chegar. Sérgio Simões, titular da Defesa Civil, já estava no local. Na madrugada daquela sexta-feira, 26 de outubro, foram acionados quatro quartéis, envolvendo um total de 37 homens.

— Aquela área (a cobertura fica na Lagoa) é do destacamento da Gávea. Quando vimos, estavam chegando carros de Copacabana, Humaitá e até do Quartel Central. Sabíamos de que se tratava da casa do Sérgio Côrtes — relatou um terceiro.

Eram cerca de 3h30m. O secretário havia se ferido no tornozelo direito ao quebrar com um chute a caixa de combate a incêndio do corredor do prédio. Também havia inalado fumaça. O clínico e médico de Côrtes, Fábio Miranda, recebe um telefonema de Verônica Vianna, mulher do secretário.

— A mulher dele me ligou, contou o caso e eu mandei que o trouxessem para o Hospital Samaritano. Ele chegou acordado — contou Fábio.

Ao ser levado para a ambulância do Samu, também estava consciente.

— Secretário, vamos para o Miguel d’Or? — ironizou um bombeiro, numa referência ao atendimento público do Miguel Couto e ao particular da Rede d’Or.
Recebeu de volta um olhar de desaprovação.

Lúcido, Côrtes já havia escolhido. Nem um nem outro: iria para o Samaritano.




 

Dirceu e Genoino pagam por Lula , diz primeira mulher de ex-ministro.


"Ou você acha que o Lula nãos sabia das coisas?", questiona Clara

Em reportagem publicada nesta quarta-feira (31) pela Agência Estado, assinada pela jornalista Débora Bergamasco, Clara Becker, amiga e primeira mulher do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil), mãe de seu filho mais velho, Zeca Dirceu (PT-PR), afirma que tanto o ex-ministro quanto José Genoíno (ex-presidente do PT) estão pagando por Lula.
"Se ele fez algum pecado, foi pagar para vagabundo que não aceita mudar o País sem ganhar um dinheiro (...) Se ele pagou, foi pelos projetos do Lula, que mudou o Brasil em 12 anos", afirma, referindo-se ao pagamento a parlamentares da base aliada que receberam dinheiro para votar a favor de propostas do governo do ex-presidente Lula, segundo a denúncia do Ministério Público.

Clara e Dirceu foram casados por quatro anos na época da ditadura militar. Amiga próxima do ex-marido há mais de três décadas, ela tem certeza de que "Dirceu não é ladrão". Para Clara, militantes do PT como Dirceu e José Genoino estão sendo sacrificados. "Eles estão pagando pelo Lula. Ou você acha que o Lula não sabia das coisas, se é que houve alguma coisa errada? Eles assumiram os compromissos e estão se sacrificando", indigna-se. "Sabe, é muito sofrimento. Uma vez peguei meu filho chorando de preocupação com o pai. E minha neta, Camila, também sente muito."
Ainda segundo a reportagem, a família de Dirceu já se prepara para o pior: sua condenação em regime fechado por envolvimento com o mensalão. Enquanto o Supremo Tribunal Federal não decide a pena, parentes já planejam como serão as visitas na cadeia. A refeição da penitenciária é uma das preocupações, pois o ex-ministro é reconhecido como um sujeito bom de garfo. "Meu medo é que ele se mate na prisão", chora Clara Becker, 71 anos.

Clara, com quem Dirceu se casou sem dizer quem era ou mencionar suas atividades políticas (ele foi preso pela ditadura e trocado pelo embaixador americano, Charles Elbrick, junto com outros presos políticos, viveu no exílio e voltou ao Brasil com nome falso e rosto modificado por uma cirurgia plástica), sabia que o marido guardava um segredo. Imaginou que ele tivesse uma família em outra cidade, mas que teria fugido "da bruxa da mulher dele e se ele quer ficar comigo e não com ela, deixe ele aqui, né?", lembra.
Só quando a anistia política foi decretada, em 1979, foi que José Dirceu contou à mulher quem realmente era, apontando uma foto dele e de outros exilados em recorte de jornal. "Pensei assim: 'Ai, era isso? Grande coisa', porque nem estava por dentro do que aquilo significava."

Sua preocupação foi ter registrado o filho com o nome de um pai fantasma. Mas compreendeu a importância da mentira. Também diz não ter-se magoado quando, assim que voltou a ser Dirceu, mudou-se para São Palo. "Ele até quis que eu fosse junto, mas não dava, eu estava com filho pequeno, ajudava minha família e ele nem salário tinha, só queria saber de fundar essa miséria desse PT", conta ela, que é petista roxa, com direito a uma piscina nos fundos de casa decorada com a estrela e a legenda do partido em minipastilhas.

Arrependida. Para ela, o único golpe foi ir a São Paulo e encontrar cabelos pretos de mulher no banheiro. Descobriu que era traída. "O Dirceu me disse: 'Se eu tenho outra é um problema, agora se a gente vai se separar é outra questão'. E eu: 'Não, senhor, acabou aqui, cara'. Peguei minhas coisas, o moleque pela mão e fui embora. Hoje, me arrependo, se eu não tivesse deixado o campo limpo, estaria com ele...", idealiza.( JB)



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Incêndio em depósito da DRFA

Usuários de crack teriam causado incêndio em depósito da DRFA.


      Bombeiro combate as chamas do incêndio no depósito de veículos da Polícia Civil, no Trevo das Margaridas

Usuários de crack teriam causado um incêndio, na madrugada desta sexta-feira, em um depósito de carros da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), na Avenida Brasil, na altura do Trevo das Margaridas, em Irajá, na Zona Norte. O fogo atingiu diversos carros apreendidos pela especializada. Bombeiros controlaram o fogo, que começou por volta de 1h30m. O trânsito precisou ser interditado.

De acordo com agentes da DRFA e guardas do depósito, é comum que usuários de drogas rondem o local para tentar roubar peças dos veículos para comprarem drogas nas favelas da região.

Um dos seguranças contou que, durante a madrugada desta sexta-feira, alguns usuários fizeram uma fogueira perto da cerca do depósito. O vento estava muito forte e levou as chamas até os veículos, causando o incêndio.

O Corpo de Bombeiros informou que ninguém se feriu. Apenas carcaças de carros foram atingidas. Automóveis que ainda continham combustível foram retirados do local.

O acesso à Avenida Brasil, no sentido Zona Oeste, pela Via Dutra, precisou ser interditado. Os motoristas desviaram o caminho por um campo que fica em frente ao depósito. A via foi liberada ainda de madrugada.







ONG de matador recebe R$ 28 mil por viciado em crack internado.

Dono da Tesloo diz que matou 42 em legítima defesa.

As casas amplas, bom quintal, mas com aspecto de abandono, paredes descascadas e desbotadas, localizadas em bairros pobres do Rio de Janeiro ganharam perfil de Zona Sul. Pelo menos na planilha da Casa Espírita Tesloo. Na prestação de contas à Prefeitura do Rio de Janeiro, a ONG justificou o pagamento mensal de R$ 13 mil com o aluguel de três humildes imóveis onde funcionam os centros especializados de atendimento à dependência química, em Guaratiba. No bairro de Cinco Marias — onde estão os abrigos — uma residência simples e espaçosa custa R$ 60 mil e os aluguéis nunca ultrapassam os R$ 1 mil. E olha que a prefeitura paga — e muito — para cuidar das crianças e adolescentes vítimas das drogas: só no ano passado desembolsou R$ 3,5 milhões — em média R$ 28 mil por menor — à Tesloo.


                           Major Magalhães foi alvo de investigação por suspeita de integrar milícia

A suspeita de irregularidades nos aluguéis dos imóveis — onde nem o contrato de locação foi apresentado — e o elevado custo para manter as crianças nos abrigos foram algumas das razões que levaram o presidente do Tribunal de Contas do Município, Thiers Vianna Montebello, a recomendar esta semana à Secretaria Municipal de Assistência Social que não faça novos contratos e nem renove os atuais convênios mantidos com a Casa Espírita Tesloo.

O prazo é até a conclusão da auditoria nas contas da ONG, presidida pelo major reformado da PM Sérgio Pereira de Magalhães Júnior — um recordista em autos de resistência e que acumula 42 mortes em confronto com supostos bandidos, como O DIA mostrou ontem com exclusividade.

Os contratos da Tesloo com a Prefeitura do Rio, todos sem licitação, somam R$ 80 milhões desde 2005. Oito estão em vigência e, destes, três, em fase final, ainda dependem da prestação de contas.

O relatório do TCM indica irregularidades em quase todos os convênios firmados para administrar os centros de acolhimentos de dependentes químicos, como superfaturamento em alimentos e nos produtos de limpeza e higiene. Há suspeita do uso de recibos falsos para encobrir desvios de verba, como a compra de cinco molhos de salsa por R$ 64,50, e possíveis notas fiscais frias — emitidas pela Cerealista Amazonas Ltda com a descrição de produtos que ela nunca comercializou.

 A análise dos técnicos do TCM mostram que a Casa Espírita Tesloo apresenta custo incompatível com os serviços prestados. E anexam a vistoria feita pela Prefeitura do Rio nos abrigos de Guaratiba e Campo Grande, quando diagnosticou a falta de prontuários e guias de recolhimento atualizados dos menores internados, ausência de médicos listados como funcionários e a precária manutenção dos prédios e do mobiliário dos centros.

Freixo critica falta de profissionais do ramo na ONG.

A reportagem de O DIA, com a denúncia do envolvimento do major reformado Sérgio Pereira de Magalhães Júnior na morte de 42 pessoas em supostos confrontos, repercutiu ontem na Assembleia Legislativa. O presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado Marcelo Freixo (Psol) considera que a Tesloo, apesar de gerir cinco centros especializados em dependência química, é dirigida por pessoas sem especificidade e sem quadro técnico compatível com a necessidade do enfrentamento ao crack.

“Não é um valor pequeno (contratos entre a ONG e a prefeitura). Tudo se justifica pelo drama que o crack representa aos olhos da opinião pública. E não se pode justificar tudo em função do dano causado por uma droga — não há nem um estudo que aponte o número de pessoas viciadas em crack no Rio, hoje”, criticou, em plenário.

Abrigos funcionam em casas alugadas por valores superiores aos de mercado. Além disso, alguns contratos não foram apresentados ao Tribunal de Contas do município


Para a deputada Janira Rocha (Psol), a política de internação compulsória de jovens usuários de drogas é “fachada para a higienização da cidade”. Segundo ela, a Secretaria de Assistência Social exibiu pesquisa mostrando que 18% dos jovens recolhidos nas ruas eram usuários de drogas. Janira revelou que o governo empregou este ano menos da metade da verba destinada ao tratamento de dependência química. “Dos R$ 29 milhões aprovados, 36% foram usados, segundo alertou o deputado André Corrêa em debate no plenário. E para 2013, a proposta orçamentária do governo é reduzir 40% da verba”, afirmou ela.
Recadastramento virou apenas um relatório
Um dos convênios da Tesloo na lista negra do Tribunal de Contas não é sobre atendimento a usuários de drogas, mas para a atualização de 408 mil famílias do cadastro único, feito pela prefeitura dos programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família. A ONG, que nunca prestou este tipo de serviço, ganhou o contrato de R$ 9.687.841,10, em setembro de 2011. Após sete meses do prazo final da entrega dos documentos, a Tesloo enviou apenas um relatório incompleto e com menos da metade da tarefa realizada. Não constava nem a quantidade de funcionários contratados para a execução do trabalho.

Major alega que matou 42 em legítima defesa.

O major reformado Sérgio Magalhães alegou ontem que as 42 mortes citadas na edição do DIA ocorreram em confronto e que agiu em legítima defesa. Garantiu que na 33ª DP (Realengo) ratificou sua posição contrária à ação de milícias e que criou a Tesloo para ajudar a reverter o “quadro degradante da dependência química” no Rio. Sobre a orientação do TCM para a prefeitura não renovar os contratos com a Tesloo, a ONG explicou que não se pronunciará enquanto não for notificada pela Secretaria de Assistência Social. Ontem, o prefeito Eduardo Paes não quis comentar a reportagem.



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Bancos cobram tarifas que o Banco Central proíbe.

Apesar das restrições impostas pelo governo à cobrança de tarifas bancárias, as instituições financeiras estão criando novas tarifas e achando brechas nas normas para cobrar por serviços não contratados pelos clientes.

Neste ano, as reclamações contra os bancos somente por custos que não foram acordados já somam o equivalente a dos dois anos anteriores juntos, segundo dados compilados pela Secretaria de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça.

Dados do Banco Central também apontam que a cobrança irregular de serviços não contratados vem ganhando destaque no ranking de reclamações da instituição, que considera só queixas confirmadas como procedentes. No ano passado, elas mais do que triplicaram.

Um dos problemas apontados pela economista Ione Amorim, do Idec (Instituto de Defesa do Consumidor), são os pacotes de serviços oferecidos pelos bancos. "As instituições financeiras estão usando os pacotes para validar a cobrança de outras tarifas", diz. "São um caminho para driblar as normas."

Segundo ela, os principais problemas ocorrem nos chamados serviços diferenciados, que incluem desde aluguel de cofres a envio de mensagens automáticas e administração de fundos de investimento. Muitas vezes classificados com nomes diferentes, eles são de difícil comparação pelos clientes. Algumas dessas cobranças também incluem itens que o BC proíbe.

O Bradesco, por exemplo, passou a cobrar dos clientes, em julho deste ano, pela visualização da imagem dos cheques emitidos nas consultas pela internet. A tarifa de R$ 2 é classificada pelo banco como uma remuneração por "serviços diferenciados".

Segundo a instituição, o serviço foi implantado gradualmente em todo país e só não foi cobrado enquanto era apenas um projeto-piloto.

O chefe do Departamento de Normas do BC, Sérgio Odilon, diz que a cobrança é irregular. Ele orienta os clientes a denunciar ao BC sempre que identificarem que algum custo foge a regra. Amorim destaca que, mesmo nos pacotes, o cliente precisa ser previamente informado sobre novas cobranças.

Nessa linha, de acordo com o Idec, o Santander criou novos tipos de extratos, chamados de "inteligentes", que chegam a custar R$ 4,90. O banco diz que esse extrato traz muitas informações além da movimentação de conta e é enviado pelo correio.



Dono de abrigos do crack já matou 42

Presidente de instituição que recebe verba pública para gerir centros para dependentes químicos, major reformado da PM tem no currículo tiroteios que levaram 42 à morte em três anos

Os tiros a curta distância na cabeça e no antebraço de dois adolescentes, de 16 e 17 anos, mortos num suposto tiroteio, há 12 anos, sintetizam bem o histórico profissional do homem contratado pela Prefeitura do Rio para cuidar de 178 jovens usuários de crack. No caminho inverso do filantropo presidente da Casa Espírita Tesloo — a cogestora dos cinco centros especializados em dependência química —, os anos de serviço na Polícia Militar fizeram do major reformado Sérgio Pereira de Magalhães Júnior, 42 anos, um colecionador de confrontos armados. Em quatro anos de combate nas favelas, o oficial viu tombar nos tiroteios que protagonizou ao menos 42 pessoas, entre 1999 e 2002.
  Sede da Tesloo: fundada em 2002 por um grupo de amigos e parentes do major Magalhães

A fama de operacional e destemido valeu a Sérgio Magalhães o título de ‘xerife’ de Magalhães Bastos, onde foi criado e montou a base para seu serviço social. A reboque, virou alvo de investigação, determinada pela Chefia de Polícia Civil em 2008, por suspeita de integrar grupo de milícia na Zona Oeste. O major foi ouvido duas vezes em inquérito na 33ª DP (Sulacap) para apurar a ligação de policiais com grupo que domina as comunidades Sobral e Vila Brasil.

Na lista dos investigados, há três velhos conhecidos de rua do major Júnior — como Sérgio Magalhães aparece na denúncia e, curiosamente, é chamado pelos amigos no bairro. São eles os irmãos Ítalo e Ipólito Pereira Campos, e Jailton Campos, todos PMs e que participaram de mais de uma dezena de trocas de tiros com supostos traficantes, sempre sob a supervisão do oficial, nos tempos de 22º BPM (Maré) e 14º BPM (Bangu).
Nem todos os usuários de crack são atendidos nos abrigos. Só os que querem receber ajuda clínica
Foto: Carlo Wrede / Agência O DiaSérgio Magalhães e os irmãos Campos formaram uma trinca do barulho nos quartéis e com um gosto pelo atacado: dos 23 autos de resistência registrados pelo major PM nas delegacias do Rio de Janeiro e batalhões onde trabalhou, em pelo menos um terço houve mais de uma vítima. Em um só episódio, na Favela da Coreia, em 2001, foram cinco mortes. E mais: a precisão dos tiros do oficial é impecável. Quase sempre os supostos criminosos foram atingidos na cabeça e no peito.

A rapidez com o gatilho nas operações policiais se mostrou eficiente também na administração da Casa Espírita Tesloo. Sérgio fundou a instituição em 2002 com um grupo de amigos e parentes. Até hoje, a mãe do oficial e o irmão, cabo da PM, têm cargos na ONG e a mulher, Sabrina Fernandes, faz parte do grupo administrativo.

Em três anos, Sérgio Magalhães fincou o pé na Prefeitura do Rio e não saiu mais. Mesmo sem qualificação, conseguiu angariar R$ 1,8 milhão em verbas para cuidar dos menores abandonados e famílias desamparadas. Mas o pulo do gato veio mesmo em 2009. De lá para cá, o combate ao crack e o acolhimento de crianças e adolescentes injetaram R$ 78 milhões na casa espírita e deram ao major o título de rei da internação compulsória.

Amigos em Magalhães Bastos e na Justiça. Ítalo e Ipólito Campos são testemunhas em ação na 4ª Vara de Fazenda Pública em que o major pede à PM o reconhecimento da reforma por doença adquirida no trabalho. Magalhães alega que em operação na Favela Nova Brasília, em 2003, caiu de uma casa e feriu duas vértebras. Parecer do setor de neurocirurgia do Hospital da PM, assinado pelo urologista Frederico Antônio Capper, atestou invalidez permanente.

O problema cervical, no entanto, não o impediu de entrar em favela e atirar em bandidos. Em 2007, foi chamado em casa por amigo, de madrugada, e foi sozinho à Favela do Fumacê, em Realengo, recuperar carro roubado. Na 33ª DP, Magalhães afirmou que só rumo à delegacia notou o corpo de um homem no banco traseiro. Em 2011, saiu de moto e recuperou veículo de outro amigo, em Deodoro. Na ação, trocou tiros com Patrick da Silva e Silva, que morreu com duas balas na cabeça.

Nos laudos cadavéricos dos mortos em confronto com o major, mais de 60% das vítimas foram atingidas na cabeça, no peito e no antebraço. As marcas sinalizam tentativa da vítima de se defender com o braço diante da arma. Foi o que aconteceu com Leonardo Mendonça Leocádio, 16 anos, e Juliano Domingos Monteiro, 17, mortos na Favela 48, em Bangu, em 2000. O primeiro levou três tiros no pescoço, um na cabeça e quatro no braço direito. O amigo, dois no peito e dois no braço direito.
A maioria das 42 mortes ainda são investigadas nas delegacias ou no Ministério Público: seis viraram inquéritos arquivados e 23 desses autos de resistência, elogio na ficha funcional.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Apenas captura de usuários de drogas não resolve.

Especialistas em crack fazem ressalvas à internação proposta por Paes .Profissionais apontam necessidade de acompanhamento de equipe multidisciplinar

Anunciada na última segunda-feira (22) pelo prefeito Eduardo Paes, a internação compulsória de adultos usuários de crack foi alvo de observações de especialistas ao longo da semana. A maioria, com vasto atendimento aos dependentes deste tipo de droga, afirma que a decisão não pode consistir apenas no recolhimento dos usuários das ruas da cidade.
É preciso, segundo psicólogos, que haja um acompanhamento psiquiátrico, psicológico e orientação familiar para uma real recuperação do dependente.



“Não adianta só recolher. Tirar da rua é muito fácil. Difícil é oferecer o tratamento, que é extremamente complexo”A cidade do Rio de Janeiro tem 5.049 usuários de crack e outras drogas vivendo nas ruas, segundo dados da Secretaria Municipal de Assistência Social. Outras 123 crianças e adolescentes estão internadas compulsoriamente em abrigos conveniados com a Prefeitura. Iniciada em março do ano passado, a internação compulsória para crianças e jovens foi alvo de duras críticas dos conselhos regionais de Psicologia e Enfermagem.

Isto porque, durante fiscalizações dos conselhos, constatou-se que medicamentos controlados vencidos eram ministrados aos internos. Também foi verificada a ausência de enfermeiras em detrimento de auxiliares de enfermagem, contrariando legislação vigente. Algumas prescrições médicas eram feitas apenas uma vez por mês, o que acarretaria, segundo o Coren-RJ, prejuízo no tratamento.

Psicóloga supervisora do programa de dependências químicas e comportamentais da Santa Casa da Misericórdia do Rio, Elizabeth Carneiro, aponta para a complexidade do tratamento de dependentes da droga:

"É muito difícil recuperar usuários de crack sem internação. Na minha experiência no tratamento aos usuários desta droga, constatei que há necessidade de pelo menos três meses de internação com tratamento farmacológico e muito trabalho de orientação familiar", diz a terapeuta. "Não adianta só recolher. Tirar da rua é muito fácil. Difícil é oferecer o tratamento, que é extremamente complexo", afirma.

Para a também terapeuta e ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), Analice Gigliotti, deve-se questionar quais serão os critérios usados pela Prefeitura para a retirada dos usuários das ruas.

"É preciso uma avaliação médica antes de mais nada. Não podemos ter a internação indiscriminada. Eu defendo a internação compulsória, mas não é verdade que todos os usuários de crack precisem ser internados. Já tratei gente que não precisou de internação. Então, não é por que alguém usa crack que deve ser levado à força. A avaliação médica é imprescindível para determinar ou não a internação", disse.

Para a presidente do Conselho Regional de Psicologia do Rio de Janeiro, Vívian Fraga, a internação compulsória, que deveria ser uma medida emergencial, está virando política pública da Prefeitura do Rio de Janeiro:

"Se for para internar compulsoriamente adultos como se faz hoje com as crianças e jovens, é o mesmo que jogar no lixo tudo o que já foi discutido sobre o assunto. A Prefeitura deve garantir acesso à saúde pública. E a questão dos dependentes químicos é uma questão de saúde. Precisa-se de um plano individual para cada usuário. Não dá para só tirar das ruas sem oferecer um tratamento que realmente sirva para a recuperação", diz.

Radicalmente contrária à internação à revelia, a psicóloga Sílvia Tedesco, professora de pós-graduação do Departamento de Psicologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), diz que é preciso agir na causa do problema e não na consequência:

"Hoje as crianças e adolescentes que são recolhidos passam um tempo abrigados, e depois de alguns meses voltam a usar a droga. Isto acontece por que o tratamento empregado é completamente ineficaz. O desgaste ou até a inexistência das relações familiares é muitas vezes o que aproxima o usuário da droga. E isto não pode ser resolvido com uma internação de poucos meses", afirma. "É preciso resolver o problema que os laços sociais apresentam", acrescenta.

Para ela, há uma tentativa da Prefeitura de varrer o problema para debaixo do tapete:
"O que se vê hoje na cidade do Rio é uma política de higienização. Só estamos discutindo o crack porque há usuários desta droga espalhados pelas ruas. Com a internação compulsória, a intenção é tirá-los da visibilidade. E isto não deveria acontecer, porque é ineficaz".

Para ela, deve haver uma diferenciação entre a necessidade de desintoxicação física e a psicológica. Na primeira, verifica-se que o organismo do usuário não funciona mais sem a droga. Já no segundo caso, o organismo não depende do narcótico, mas há uma dependência emocional, que deve ser trabalhada sem internação e com o emprego de terapias e tratamento familiar. É claro que há necessidade de internar os usuários que apresentam necessidade de desintoxicação física. E isto, por se tratar de um caso de saúde, deve ser feito pelo SUS. É obrigação da rede pública de saúde", endossa.



Valério com mais de 40 anos de prisão. E Lula ainda diz que não houve mensalão.

Supremo Tribunal Federal condena Marcos Valério a 40 anos de prisão .Operador do Mensalão vai também pagar R$ 2,7 milhões de multas

O publicitário-empresário Marcos Valério, considerado o principal operador do esquema do mensalão, foi condenado até agora – na primeira parte da segunda sessão de dosimetria das penas no julgamento da Ação Penal 470, realizada nesta quarta-feira – a um total de 40 anos, 1 mês e 6 dias de reclusão e ao pagamento de multas de R$ 2, 783 milhões.
Somam-se aí as condenações por crimes de quadrilha, corrupção ativa(duas vezes), peculato (três vezes), lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Os ministros concordaram em deixar para a sessão final de julgamento a proclamação definitiva das penas e de seus efeitos em todos os réus, incluindo Marcos Valério, que será o mais apenado.

A dosimetria proposta pelo ministro-relator, Joaquim Barbosa foi,inicialmente, acompanhada pela maioria de seus colegas. Mas Barbosa continuou a discutir asperamente, em alguns casos, com o ministro-revisor, Ricardo Lewandowski, Sobretudo quando da fixação da pena relativa ao crime de corrupção ativa no item Banco do Brasil-Visanet, no qual saiu vencedor – por uma pena menos severa – o revisor. No início da segunda parte da sessão, Joaquim Barbosa pediu desculpas ao seu colega Lewandowski: “Externo minha preocupação quanto ao ritmo desta dosimetria, o que tem me levado a me exceder, até de maneira exacerbada. Peço desculpas ao eminente ministro-revisor”. As desculpas foram aceitas.

Mas a maior divergência deu-se quando da fixação da pena por lavagem de dinheiro. O relator propôs uma pena de reclusão de 11 anos e 8 meses, enquanto o revisor – apesar de afastar atenuantes e de usar agravantes – propôs 6 anos e 20 dias. Acompanharam Barbosa os ministros Luiz Fux, Marco Aurélio, Gilmar Mendes e Celso de Mello.Votaram com Lewandowski os ministros Rosa Weber, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Ayres Britto (que fixara, no início, pena de 7 anos e 6 meses de reclusão). Como deu empate, prevaleceu a pena mais favorável ao réu, ou seja, a fixada pelo revisor.

Na votação referente ao crime de corrupção ativa - no item em que os corrompidos foram parlamentares e assessores dos partidos da chamada base aliada (PP, PL, PTB e PMDB) - relator e revisor voltaram a dissentir, embora ambos tivessem concordado com a chamada continuidade delitiva. Barbosa queria condenar Valério a 7 anos de reclusão (mais multa de 225 dias-multa de 10 vezes o salário mínimo, cerca de R$ 585mil), enquanto Lewandowski defendeu pena de 4 anos e um mês, mais 19dias-multa (R$ 74.100). Celso de Mello interveio para fazer alguns reparos à dosimetria feita pelo relator neste item, tendo em vista a Súmula 711 do STF. A sessão foi mais uma vez interrompida quando já passava das 19 horas.

Na reabertura dos trabalhos, o ministro-relator refez os seus cálculos, e aumentou ainda mais a pena “corpórea” do réu, nesse item,para 7 anos e 8 meses. O seu voto foi seguido pelos ministros Rosa Weber, Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ayres Britto (O ministro Celso de Mello já tinha se ausentado).Finalmente, o réu Marcos Valério foi condenado a 5 anos e 10 meses de reclusão pelo crime de evasão de divisas (53 operações) mais multa de168 dias-multa (R$ 436.800). Neste item, prevaleceu o voto do relator Joaquim Barbosa, vencidos os ministros Lewandowski, Toffoli e RosaWeber, que cominavam penas menores (4 anos e 8 meses de reclusão, mais 22 dias-multa.

Nas sessões destes últimos dias foram fixadas as penas referentes aos seguintes crimes pelos quais foi condenado o réu Marcos Valério:
1) Formação de quadrilha: 2 anos e 11 meses de reclusão.

2) Corrupção ativa (contratos com a Câmara dos Deputados): 4 anos e 1mês de reclusão, mais multa de R$ 432 mil (equivalente a 180 dias-multa no valor de 10 salários mínimos cada, da época do cometimento do crime). Neste item, o então presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP) foi condenado por corrupção passiva (9 votos a 2), mas sua pena não foi ainda fixada.

3) Peculato (contratos assinados com a Câmara dos Deputados): 4 anos e8 meses de reclusão, mais multa de R$ 546 mil (equivalente a 210 dias-multa, no valor de 10 salários mínimos). Neste item, o deputado João Paulo Cunha foi também condenado pelo mesmo crime (9 a 2), massua pena ainda não foi fixada.

4) Corrupção ativa (mais uma vez) referente aos contratos com o Banco do Brasil, a partir dos quais houve desvios comprovados do Fundo Visanet da ordem de R$ 73 milhões: 3 anos, um mês e 10 dias de reclusão, mais 30 dias-multa de 15 salários mínimos ( R$ 108 mil).Nesta etapa, houve muita discussão, novamente, entre Barbosa e Lewandowski.

O ministro relator, neste caso, queria uma pena de 4 anos e 8 meses, mais multa de R$ 504 mil (equivalente a 210 dias-multa, no valor de 10 salários mínimos cada da época), mas foi acompanhado apenas pelos ministros Luiz Fux e Ayres Britto. A maioria aderiu à cominação da pena menos severa fixada pelo revisor Ricardo Lewandowski: condenação de Valério à pena de reclusão de 3 anos, um mês e 10 dias, mais 30 dias-multa de 15 salários mínimos (R$ 108 mil).Marco Aurélio preferia uma pena de 5 anos e 10 meses.

Neste último item, o condenado por corrupção passiva foi Henrique Pizzolato, ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil, mas sua pena ainda não foi fixada.

5) Peculato (mais duas vezes, imputações relativas, respectivamente,ao repasse dos chamados bônus de volume da empresa DNA para o Banco do Brasil, e a operações semelhantes com a Visanet, empresa ligada ao mesmo banco): 5 anos, 7 meses e 6 dias de reclusão, mais 230 dias-multa de 10 salários mínimos (R$ 598 mil).

6) Lavagem de dinheiro: 6 anos, 2 meses e 20 dias, mais 20 dias-multa(15 salários mínimos vigentes à época para cada dia-multa, cerca de R$78 mil, em razão de 46 operações de lavagem de dinheiro.Se prevalecesse o voto do relator, Valério seria condenado, por lavagem de dinheiro, a 11 anos e oito meses de reclusão mais 291 dias-multa (R$ 756.000). Barbosa destacou que Marcos Valério “atuou intensamente em todos os processos de lavagem em companhia dos sócios na empresa SMP&B, Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, que emitiram os cheques que eram lavados. E fixou a pena em reclusão pelo período acima, mais multa, além da perda dos bens auferidos em função do crime de lavagem. E também à interdição do réu do exercício de função pública e de diretor de pessoa jurídica (qualquer empresa) pelo dobro da pena privativa de liberdade, ou seja, por um período de mais de 23 anos.

7) Corrupção ativa (corrupção de parlamentares e assessores dos partidos da chamada base aliada de sustentação do Governo Lula na Câmara dos Deputados; nove práticas): 7 anos e 8 meses de reclusão,mais 225 dias-multa (R$ 585 mil).8) Evasão de divisas (53 operações): 5 anos e 10 meses de reclusão,mais multa 168 dias-multa (R$ 436.800).

89 % querem reduzir maioridade penal no país.

Para 50% da população, limite de prisão deveria ser maior que os atuais 30 anos, afirma estudo do Senado.A pesquisa do Senado também perguntou sobre drogas aborto e outros temas.

Enquanto o Brasil assiste ao julgamento do mensalão, o Senado divulgou o resultado de uma pesquisa realizada pela sua Secretaria de Opinião Pública indicando que 89% da população é a favor de aumentar a maioridade penal. Divulgado hoje (23.out.2012), o estudo foi realizado por telefone com 1.232 pessoas de 119 municípios, incluindo todas as capitais. A margem de erro é de 3 pontos percentuais.

Os dados mostram que 20% dos brasileiros acham que a lei deveria permitir a prisão das pessoas a qualquer idade. Outros 16% acham que a maioridade penal deveria começar aos 12 anos. Para 18%, isso deveria ocorrer aos 14 anos. E 35% disseram que 16 anos é a idade mínima que alguém deve ter para ir preso. Só 7% concordam com a atual regra, que estabelece a maioridade penal a partir dos 18 anos. Deram outras respostas 3% dos entrevistados e 1% não soube ou não quis responder.

A pesquisa foi feita porque os senadores estão analisando um projeto de mudanças para o Código Penal, o PLS 236/2012. Outras perguntas também foram feitas aos entrevistados.
Os resultados mostram também que 50% da população acham que o limite de 30 anos de prisão deveria aumentar. O tempo máximo de reclusão deveria ser de 40 anos (para 9% dos entrevistados), 50 anos (para 36%) ou não ter limite (para 5%). A atual regra está correta para 17%. Mas 8% acham que deveria diminuir para 20 anos e 9%, para 10 anos. Outras respostas foram dadas por 6% e 9% não souberam ou não responderam à questão.

DROGAS

Sobre drogas, o estudo aponta 89% da população a favor da que a lei proíba que uma pessoa produza e guarde drogas para consumo próprio. Só 9% concordaram a permissão. E 1% não soube ou não quis responder à pergunta.

ABORTO

A maioria das pessoas (82%) é contra o aborto quando o procedimento é adotado porque a mulher não deseja o filho. Mas a maioria fica a favor do aborto quando a gravidez coloca a vida da mulher em risco (74%), é causada por estupro (78%) ou quando o bebê possa morrer após o nascimento por conta de doença (67%).

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Prefeitura do Rio anistia multa de R$ 674 mil aplicada à Delta.

Em apenas 12 dias úteis, a Secretaria municipal de Obras suspendeu uma multa de R$ 674 mil aplicada à Delta Construção por causa de atrasos nas obras do Viaduto do Lameirão, em Santíssimo. O prazo entre o recurso da empresa e a decisão do município foi curto. A “fatura”, como a secretaria chama o comunicado de infração, foi devolvida ao órgão, com as justificativas da construtora, num sábado, em 29 de setembro passado, e o parecer sobre a suspensão da multa, publicado no dia 16 deste mês.

De acordo com a secretaria, a Delta alegou ter sido prejudicada por fatores que não dependiam de seu desempenho, como desapropriações. Diante do argumento, o órgão decidiu pela anistia da multa. O atraso da obra é de seis meses. Por meio de nota, a secretaria informou que foram necessárias sete desapropriações para a construção do viaduto e que a demora na conclusão dos processos aconteceu em função da falta de documentação dos donos dos imóveis. Mas esclareceu que todos os proprietários já foram liberados este mês. A promessa é que a construção do viaduto, iniciada em março do ano passado, esteja concluída até o fim do ano. Estão previstas ainda outras intervenções, como a duplicação das estradas de Paciência e do Lameirão. O secretário da pasta, Alexandre Pinto, não quis comentar o assunto ontem.

Ainda segundo a nota da Secretaria municipal de Obras, a fiscalização anistia multas quando o atraso no cronograma não é causado pela empresa, mas por outros entraves.
Na segunda-feira, diante de um pedido de mais detalhes sobre o processo que resultou na anistia, a Secretaria afirmou que não poderia precisar, por exemplo, em quanto tempo foi dado o parecer autorizando a suspensão da multa porque o expediente no setor responsável já estava encerrado. Também não foi esclarecido qual etapa da obra estava sendo afetada pelas seis desapropriações pendentes, já que a obra estava em curso desde 2011.

Procurada, a assessoria da Delta não informou os argumentos usados pela área técnica da empresa para obter a anistia da multa. “Os fundamentos da defesa, prazo de apreciação e critério de análise por parte do contratante encontram-se no processo administrativo em curso na Secretaria de Obras do município do Rio de Janeiro. Não cabe à empresa permitir juízo de valor.”

O ex-presidente da Delta Construção Fernando Cavendish é investigado por ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, que está preso e foi alvo de CPI. Amigo de Sérgio Cabral, o empresário foi fotografado, durante uma comemoração em Paris, com o governador e outros integrantes do staff estadual, como o secretário de Saúde, Sérgio Côrtes, e de Governo, Wilson Carlos, além do secretário municipal de Urbanismo, Sérgio Dias. ( Extra ).







 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Supremo condena a quadrilha do mensalão por 6 a 4.


Maioria dos ministros dá razão ao MP: sob a chefia de José Dirceu, petistas formaram uma quadrilha para comprar apoio político com dinheiro sujo

Depois de atestar que o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, atuou como o senhor do mensalão, agindo como chefe dos que corrompiam parlamentares no Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal (STF) impôs nesta segunda-feira nova condenação ao ex-todo poderoso integrante do governo Lula. Desta vez, seis dos dez ministros da mais alta corte do país selaram o destino de Dirceu e o condenaram também por formação de quadrilha.

Na avaliação da maior parte dos magistrados, o ex-chefe da Casa Civil, os petistas Delúbio Soares e José Genoino, além do empresário Marcos Valério e dos executivos do Banco Rural Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarane, associaram-em especificamente para a prática de crimes. No rol de ilícitos do mensalão estão peculato, corrupção, evasão de divisas e gestão fraudulenta.

Celso de Mello, o decano da corte, apresentou o voto mais mais marcante do dia: "Em 44 anos de Justiça, nunca presenciei casos em que o juízo de formação de quadrilha se encontrasse tão nitidamente caracterizado como no processos ora em julgamento". O ministro definiu assim os réus: "Homens que desconhecem a República, pessoas que ultrajaram suas instituições e que, atraídos por perversa vocação para o controle criminoso do poder, vilipendiaram os signos do estado e desonraram com gestos ilícitos e ações marginais a ideia mesma que anima o espirito republicano pulsante em nossa Constituição".

O decano fez uma distinção entre políticos e bandidos: "Estamos a condenar não atores políticos, mas protagonistas de sórdidas tramas criminosas. Condenam-se aqui e agora não atores ou agentes políticos, mas sim autores de crimes, de práticas delituosas". Ele falou em "conspiração" dos criminosos, "em perversa vocação"; disse que "todos nós" fomos vítimas e chegou à conclusão incontornável: "A essa sociedade de delinquentes, o direito penal brasileiro dá um nome: o de quadrilha ou bando".

Quebra-cabeças – A costura para a condenação dos quadrilheiros do mensalão foi possível com a proposta do ministro relator, Joaquim Barbosa, para que o julgamento fosse fatiado. A análise separada dos capítulos da denúncia do Ministério Público permitiu que o plenário do STF atestasse a existência de diversos crimes no esquema do mensalão para depois, tal qual um quebra-cabeças, concluísse pela existência da quadrilha. Agora, resta aos ministros definir as penas aos condenados.

Embora seis ministros do STF – Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Gilmar Mendes, Marco Aurélio, Celso de Mello e Carlos Ayres Britto – tenham considerado culpados Dirceu e outros dez réus, parte do plenário endossou uma outra corrente de interpretação do crime de formação de quadrilha. Os ministros Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Cármen Lúcia e José Antonio Dias Toffoli sustentaram a argumentação de que, para existir uma quadrilha, era necessário que os criminosos atuassem para a prática de crimes “por um tempo indeterminado” e que representassem ameaça real à paz pública. Chegaram a citar o temor que uma quadrilha clássica, como o bando do cangaceiro Lampião, trazia às regiões por que passava e defenderam que nem Dirceu nem os petistas e tampouco os executivos do Rural tinham formado uma espécie de sociedade delitiva.

Os argumentos foram em vão. O ministro Joaquim repudiou a hipótese de a formação de quadrilha só ser aceita em caso de crimes de sangue, disse que os quadrilheiros do mensalão só não praticaram ilícitos por tempo indeterminado porque foram descobertos e resumiu que a corrupção de parlamentares, eleitos por voto popular, representam, sim, um grave risco à paz pública.

“Por um período considerável de tempo, quase dois anos e meio, durou essa prática nefasta de compra de parlamentares, um crime sobre o qual não há de se cogitar que seja cometido sem que haja entendimento entre pessoas, porque dinheiro não nasce em árvores. Comprar parlamentares para constitui a base de governo à base de dinheiro, isso não abala a paz social? É só o indivíduo que mora no morro e sai atirando loucamente pela cidade? Ou será que a tomada das nossas instituições políticas de maneira pecuniária não abala a paz social?”, argumentou Barbosa.

O ministro Luiz Fux, que também proferiu voto pela condenação dos réus, refutou a possibilidade de os mensaleiros terem atuado apenas em coautoria, sem a existência de uma quadrilha própria. “O elo associativo destinado à pratica dos crimes variados perdurou por mais de dois anos, o que afasta de maneira irretorquível a eventual tese de mera coautoria. O conluio não era transitório. Não se está diante de um singelo agrupamento de pessoas”, disse ele.
Marco Aurélio Mello releu o discurso que proferiu ao tomar posse no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2006, quando proferiu uma áspera crítica aos comandantes do mensalão. Nesta segunda-feira, ele manteve o tom, citou o ex-presidente Lula e provocou o PT: “Houve a formação de uma quadrilha das mais complexas. Mostraram-se os integrantes em número de 13. É sintomático, o número”, declarou.

Ameaça - O ministro Gilmar Mendes lembrou a gravidade do esquema do mensalão: “Não se pode cogitar normal uma ordem política e social quando se tem um partido político corrompendo parlamentares. A gravidade dos fatos atenta contra a paz pública na sua concepção político-social”, disse Gilmar Mendes. Parte dos magistrados do STF interpretou a legislação para exigir que o bando tivesse o interesse de cometer crimes por tempo indeterminado e para demolir a paz pública. As quadrilhas, para esses ministros, representariam à sociedade “um perigo por si mesma”. “Foi um atentado à democracia”, resumiu.

“É indiscutível que os núcleos (que atuaram no mensalão) jamais imaginaram formar uma associação para delinquir. Havia o objetivo de cooptação de apoio político do governo e todos os demais fatos típicos sempre tiveram por finalidade garantir o cumprimento desse desiderato”, disse a ministra Rosa Weber.

Para a ministra Cármen Lúcia, a acusação falhou ao não demonstrar que a cúpula dos mensaleiros se articulou para cometer ilícitos indeterminadamente. “Não me parece que tenha havido a comprovação do Ministério Público de que houve uma associação com fins a durar, com específica finalidade de pratica de crimes”, afirmou.

Dias Toffoli, talvez por constrangimento, não apresentou um argumento sequer para absolver Dirceu e seus comparsas: absolveu os 13 acusados em menos de 30 segundos. ( JB ).

sábado, 20 de outubro de 2012

" Para mim , o Maracanã acabou".


Neto de Mário Filho, idealizador do estádio, critica reforma que reduz sua capacidade

A história de Mário Rodrigues Neto se confunde com a própria história do Maracanã. Neto do jornalista Mário Filho - grande idealizador do estádio, que foi batizado com o seu nome -, ele nasceu em 1947, mesmo ano da inauguração daquele que seria eternizado como "o maior do mundo". Mas, depois de décadas de glórias e paixão, o estádio não faz mais o coração de Mário Neto bater mais forte: "Pra mim, ele acabou. Não tem mais nada a ver com o que meu avô idealizou. Graças a Deus ele não está vivo para ver a transformação que está sendo feita", dispara.

Mário Neto, também jornalista, fala da gigantesca obra, inicialmente orçada em R$ 859 milhões - custo que as próprias autoridades admitem que vai aumentar. A rigor, o estádio foi praticamente posto abaixo. Arquibancada e campo estão sendo totalmente reformulados para a Copa do Mundo de 2014. Nesta segunda-feira, será lançado o edital de licitação do estádio. A previsão é de que a assinatura do contrato de concessão com a empresa vencedora aconteça no primeiro semestre de 2013.

"Quando meu avô entrou na campanha para a construção do Maracanã, sempre defendeu que ele deveria abrigar pelo menos 100 mil torcedores. O Brasil havia acabado de ser escolhido para sediar a primeira Copa do Mundo após a Segunda Guerra Mundial, e o Rio, então capital do país, não tinha um estádio à altura", lembra Mário Neto.

Com a reforma, a capacidade máxima do Maracanã, que já chegou a receber mais de 190 mil pessoas no Fla-Flu que decidia o Campeonato Carioca de 1963, passará para 80 mil. "Meu avô amava ver as torcidas, a festa nas arquibancadas, por isso sempre defendeu um estádio com capacidade superior a 100 mil pessoas. Agora, esse encanto acabou. Nunca mais veremos aquelas imagens do Canal 100, que mostravam o povão no estádio. O Maracanã vai ficar moderno, bonito, mas vai ficar elitizado. O preço do ingresso vai afastar o povão. O espetáculo das torcidas acabou. Eu já virei a última página desta bela história", lamenta.

Mário bate ainda na tecla do custo milionário da obra: "É um absurdo gastarem esta fortuna para o Brasil jogar, no máximo, duas partidas no estádio [de acordo com a tabela, tanto na Copa do Mundo quanto na Copa das Confederações, a seleção só atuará no estádio do Rio se chegar às finais]. Todo este dinheiro poderia ter sido gasto em questões de infraestrutura, como a reforma dos banheiros, por exemplo, sem interferir na capacidade do estádio. Mas a decisão foi outra."

O Maracanã totalmente reformulado e já com mais de 60% das obras concluídasO jornalista critica também a interferência da Fifa nas regras impostas para a realização da Copa do Mundo. "Ela sempre age assim. Sei que as pessoas que têm cadeiras perpétuas no Maracanã estão reclamando porque, durante a Copa, elas não ficarão reservadas para seus donos. O Brasil deveria ter batido o pé e não ter permitido tantas interferências, mas depois da porta arrombada não adianta botar cadeado. A Fifa se impõe assim no mundo inteiro, não só no Brasil", frisou Mário.
Emoção nas arquibancadas.

Mário Neto, tricolor apaixonado, coleciona histórias no estádio, para onde ia sempre acompanhar seu avô. "Descobri que ele era rubro-negro na arquibancada", conta. Mário Filho sempre se dizia "Fla-Flu", para agradar à mulher rubro-negra, Célia, e aos irmãos tricolores, dentre os quais estava o dramaturgo Nelson Rodrigues.

Mário Neto com um quadro que retrata seu avô, Mário Filho"Em 1959, fui com meu avô acompanhar um Botafogo X Flamengo. No finzinho do jogo, Dida marcou para o Flamengo e, quando olhei para o lado, meu avô havia sumido. Ele estava no chão, onde caiu após comemorar o gol", lembra Mário Neto, entre risadas. "Ele olhou para mim sério e disse: 'Não tire conclusões precipitadas. Estou feliz porque vamos vender mais jornal'" [Mário Filho era o dono do Jornal dos Sports].

No dia seguinte, Mário Neto ganhou uma bicicleta com um bilhete do avô onde estava escrito: "Fiz a minha parte". "Minha avó ficava perguntando a ele por que havia me dado uma nova bicicleta, já que tinha ganhado uma há poucos meses. Ele só dizia: 'Não se meta que é assunto meu'", relembra Mário Neto. "Eu fiquei quietinho. De vez em quando, na mesa de jantar, eu piscava pra ele, e ele me cutucava por debaixo da mesa".

A sua primeira vez no estádio foi aos 9 anos, e já para conhecer pessoalmente um mito dos campos. "Em 1956, fui ver um jogo entre Bangu e América com meu avô. Zizinho, que já estava em final de carreira, pelo Bangu, era o grande ídolo de meu avô. Depois da vitória por 2 a 1, fui levado até o campo para cumprimentar o jogador", lembra.

Mário também estava no Maracanã naquele Fla-Flu histórico de 1963, com quase 200 mil torcedores nas arquibancadas. "Foi a primeira vez que gritei gol sem ter sido gol. O Escurinho [jogador do Fluminense] estava sozinho para marcar, com o goleiro já caído no chão, mas chutou fraco. Anos depois encontrei ele, que estava trabalhando dirigindo um táxi. 'Eu estou te reconhecendo', disse eu. Ele respondeu de forma objetiva: 'Não me fale daquela jogada'".
Mário não falou da tal jogada, assim como não verá mais, como naquela tarde de 1963, 200 mil torcedores delirando nas arquibancadas do Maracanã.
"Acabaram com o nosso estádio", lamenta.

No Rio , há captura de viciados , mas não há política de prevenção e cura.

Política de enfrentamento do crack no Rio deve ser mais séria, diz especialista


Com mais de cinco mil usuários de crack e outras drogas perambulando pelas ruas da cidade, o Rio de Janeiro não dispõe de nenhuma vaga para a internação de usuários adultos desde agosto. Segundo especialistas , o tratamento para os dependentes do crack tem sua fase mais importante na internação e precisa ser levado "a sério" pelos governantes para que acabe a epidemia que assola o Rio.


Depois da ocupação do Complexo de Manguinhos e do Jacarezinho, no último final de semana, houve crescimento do número de dependentes químicos retirados das ruas, segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social. No entanto, sem possibilidade de internação, os que aceitam tratamento só podem ser abrigados, sem cuidados necessários para livrarem-se da dependência.

Hoje, há 123 crianças e adolescentes abrigados involuntariamente em cinco unidades mantidas por ONGs conveniadas com a Prefeitura do Rio. Na última semana, outras dez crianças que viviam nas imediações de Manguinhos também foram internadas à revelia.

"O crack não é esse mistério todo que se coloca. O problema tem solução, mas não é de curto prazo. Ninguém fica livre desta droga em 15 dias. Há muitos pacientes querendo parar de usar crack, mas o tratamento precisa ter qualidade", disse o terapeuta Tito Gomes, especializado em dependência química há 20 anos.

Para ele, a falta de planejamento se torna mais proeminente a cada dia. "Não basta invadir uma favela e tirar os usuários de crack de lá. Antes disso, deve-se ter um plano de tratamento para estas pessoas", afirma. "Do contrário, fica impossível resolver o problema".
Para a psicóloga pós graduada em dependência química, Angela Hoffman, o serviço público de saúde precisa ser estruturado de modo a garantir não apenas a internação dos usuários, mas também o acompanhamento dos pacientes.

"Não basta garantir apenas a internação destes usuários de crack e de outras drogas. Mesmo depois da internação, há uma grande necessidade de acompanhamento. Senão, o paciente pode voltar à estaca zero", apontou.














sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A carne vermelha e o câncer de bexiga.

Alterações no DNA aumentam riscos do consumo de carne vermelha .Chances de desenvolver câncer na bexiga é maior se indivíduo apresentar uma mutação no gene RAD52

Estudos anteriores já haviam mostrado que o consumo de carne vermelha pode favorecer o desenvolvimento de tumores na bexiga (Thinkstock)

A combinação da proteína e do ferro presentes na carne vermelha pode levar à formação de substâncias cancerígenas, que aumentam as chances do câncer de bexiga. Os riscos podem ser ainda maiores em indivíduos que tenham uma alteração no gene RAD52 e, por isso, possuem uma habilidade reduzida de reverter os efeitos danosos do composto. A pesquisa foi apresentada na Conferência Internacional sobre as Fronteiras da Pesquisa de Prevenção ao Câncer.

CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Dietary nitrosamines, genetic variation in DNA repair and metabolism genes, and bladder cancer risk in the Los Angeles Bladder Cancer Study

Onde foi divulgada: Conferência Internacional sobre as Fronteiras da Pesquisa de Prevenção ao Câncer.

Quem fez: Chelsea Catsburg e Roman Corral

Instituição: Universidade do Sul da Califórnia

Dados de amostragem: Foram analisadas 627 mutações em 27 genes de amostars retiradas de 355 pacientes com câncer na bexiga

Resultado: Foi encontrada uma associação maior entre o consumo de carne vermelha e o desenvolvimento do câncer entre indivíduos com uma mutação no gene RAD52.Após o consumo de carne vermelha e processada, uma série de reações químicas acontece em nosso corpo que pode transformar os nutrientes contidos na comida em substâncias cancerígenas. A proteína presente na carne é composta por aminoácidos. Em nosso corpo, os aminoácidos podem ser metabolizados para aminas biogênicas. Na presença de nitritos, que são usados para conservar a carne, essas aminas geram nitrosamina, uma substância de propriedades cancerígenas. O ferro presente na carne é capaz de aumentar ainda mais a taxa de formação de nitrosaminas a partir da amina da carne.

“A formação de nitrosamina ocorre predominantemente no estômago e intestino, e a relação entre essa substância e o câncer gástrico já foi bem estudada. No entanto, existem evidências de que essa reações também acontecem na bexiga, principalmente na presença de infecções”, diz Chelsea Catsburg, pesquisadora da Universidade do Sul da Califórnia e autora do estudo.

A mesma equipe de pesquisadores já havia descoberto que alguns grupos de carne com grandes concentrações de ferro e amina, como salame e fígado, aumentavam o risco de câncer na bexiga. Dessa vez, eles examinaram se variações genéticas em enzimas que têm a função de reparar o DNA podiam ter alguma influência nessa associação.

Pesquisa – Os cientistas analisaram 627 mutações em 27 genes envolvidos com o metabolismo de compostos como a nitrosamina ou com a reparação de danos ao DNA. Foram coletados dados de 355 pacientes com câncer na bexiga. “Descobrimos que uma mutação no gene RAD52 modificava o efeito da exposição a essa substância. A mutação reduz a atividade da proteína RAD52, que tem como função reparar o DNA. Por isso, a associação entre o consumo de carne e o risco de câncer de bexiga foi significativamente maior em indivíduos com essa alteração”, disse a cientista.

A pesquisa traz como recomendação que se reduza o consumo de carne vermelha e se evite a carne processada. “O estudo sugere que a exposição às substâncias presentes nessas carnes também pode afetar órgãos secundários, como a bexiga. Indivíduos com risco de desenvolver câncer de bexiga podem desejar evitar o consumo de carne vermelha, especialmente se eles tiverem mutações genéticas que reduzem a atividade de reparo do DNA”, disse Chelsea Catsburg. Ela alertou, no entanto, que a pesquisa ainda não é conclusiva, e ainda devem ser realizados estudos maiores.

Brasileiros já pagaram R$ 1,2 trilhão em impostos no ano.


O valor pagos pelos brasileiros neste ano em impostos federais, estaduais e municipais atingiu nesta sexta-feira (19), por volta das 3h da madrugada, a marca de R$ 1,2 trilhão, segundo o “Impostômetro” da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).

Em 2011, o painel registrou o mesmo valor apenas em 30 de outubro. Ou seja, neste ano a marca foi atingida com uma antecedência de 11 dias.

Ao longo de 2011, os brasileiros pagaram um total de R$ 1,51 trilhão, segundo o "Impostômetro". De acordo com a ACSP, o contador deverá ultrapassar a marca de R$ 1,6 trilhão até o último dia do ano.

O brasileiro é o cidadão que mais paga imposto no mundo , mas não vê o retorno , por parte dos governos. E impostos muito altos. Os serviços básicos de responsabilidade das autoridades públicas ficam a dever , pois ou não existem ou são prestados de forma precária.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Rio ocupa cracolândia , mas corta verba para combate às drogas.

Em dois anos, governo do estado reduziu quase à metade os recursos destinados a programas de prevenção e tratamento de dependentes químicos.

Agente municipal detém um usuário de crack em operação da Secretária Social do Rio de Janeiro .
O governo do estado do Rio trata o problema do crack com dois pesos e duas medidas. Por um lado, policiais ocupam a área onde se formou a maior cracolândia do estado, próxima das favelas de Manguinhos e Jacarezinho. A operação teve apoio até de blindados das forças armadas.

Na outra ponta, o valor investido pelo governo do estado em programas contra as drogas ficou menor. Em 2011, o valor previsto para programas de prevenção, acompanhamento e tratamento de usuários de drogas foi de 35,5 milhões de reais. Em 2012, a previsão do orçamento caiu para 29 milhões de reais – 18% a menos.

Para 2013, a proposta enviada pelo governador Sérgio Cabral para aprovação na Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj) é de 18,5 milhões de reais. Em dois anos, a redução chega a 48%. Ou seja, enquanto o crack se espalha e a polícia tenta desmanchar a cracolândia, o estado reduz à metade os recursos para combater o problema.

O estado hoje não tem onde internar pacientes dependentes de drogas. As duas clínicas conveniadas que recebiam os pacientes interromperam o atendimento porque o contrato com o estado acabou em agosto e não foi renovado.

Só na capital, a Secretaria municipal de Assistência Social estima que são 3.000 os usuários de crack vagando pelas ruas. Nesta quinta-feira, a Secretaria Municipal de Assistência Social voltou a recolher usuários de crack: 31 adultos foram recolhidos em ruas de Madureira, na zona norte. Os adultos recolhidos são levados para triagem, têm a opção de ficar nos abrigos da Prefeitura e fazer tratamento ambulatorial nos Centros de Atenção psicossocial (CAPs).

A Secretaria Estadual de Planejamento não explicou o motivo da redução da previsão de orçamento. A Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos divulgou nota informando que contratou três instituições para tratar dependentes de drogas. Os contratos começam a vigorar na próxima segunda-feira, dia 22. ( Veja )

Poluição ambiental provocada pela prefeitura do Rio .

Fundação que cuida de rios é flagrada poluindo um deles .Moradores reclamam do impacto ambiental

Na tarde de quarta-feira (17), um caminhão da Fundação Rio Águas despejava detritos no Rio Jacaré, dentro da recém-pacificada favela de Manguinhos, para espanto dos moradores.
A fundação, segundo definição na sua página da internet, tem por função "a manutenção dos corpos hídricos do município, realizando obras de conservação e desobstrução de canais e rios, além disso, é o órgão responsável pelo planejamento, supervisão e operação, direta ou indireta, do sistema de esgotamento sanitário". No caso, ela nem conservava nem cuidava do esgotamento sanitário, mas simplesmente ajudava a poluir ainda mais o rio despejando mais resíduos em seu leito.


A Rio Águas jogou a culpa em uma terceirizada. Em nota, declarou que "a empresa terceirizada realizou descarte de resíduos indevidamente no Rio Jacaré". Afirmou ainda que "não compactua com este procedimento" e garantiu que "no momento, avalia a denúncia e informa que a empresa será multada, podendo ter o contrato suspenso. Todos os funcionários presentes na foto são terceirizados".

Nesta quinta-feira (18), a Rio Águas identificou a empresa terceirizada e confirmou mais uma vez o descarte indevido: "A Fundação Rio-Águas informa que a empresa Serviços de Engenharia, Indústria e Comercio Ltda (Senic) realizou descarte de resíduos indevidamente no Rio Jacaré", disse em nota.


Poluição antiga.
Nilson Damião, morador da comunidade há 48 anos, declarou que a poluição do canal começou há cerca de três décadas e desde então só aumentou:
“São vários fatores: traficantes jogavam os corpos de desafetos no canal, muitos moradores são porcos. Além disso, muitos carros, de diferentes tamanhos, despejavam diversas substâncias neste canal”, conta Damião, que lembrou que a presença dos traficantes na comunidade intimidava a qualquer um que fosse verificar o que acontecia.



Vanderley Pereira, de 29 anos, lamenta o impacto ambiental que ocorre na comunidade com esses despejos, e disse claramente que há pessoas dentro da favela que contribuem para isso:

“A Associação de Moradores do Parque João Goulart não faz nada para resolver esse e outros problemas da comunidade. Isso é uma vergonha”, desabafou. Outro morador, que se identificou apenas como Manoel , aproveitou para ironizar a situação dos que residem à beira do canal:

“Nossas casas deveriam custar muito mais. Temos essa vista privilegiada e esse cheiro fenomenal que passa pelos nossos narizes”, provocou Manoel. Maria do Carmo, de 52 anos, também estava indignada com a situação: "Nós vivemos na podridão, e as pessoas acham que nós gostamos de viver assim".




Fonte : JB , 18/10/2012

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Rio não tem onde internar dependentes de crack.


Desde agosto, quando contratos com o governo foram encerrados, quem é recolhido nas cracolândias não pode ser tratado. Pacientes receberam alta e deixaram as clínicas.

                                    Viciados em crack fogem da abordagem da prefeitura do Rio
Passada a ocupação policial na maior cracolândia do Rio de Janeiro, na região das favelas de Manguinhos e Jacarezinho, o que se viu foi apenas uma mudança de endereço dos pontos de concentração de usuários da droga. E não há, no momento, como ser diferente. Apesar de o poder público ter anunciado o “recolhimento” de mais de 200 dependentes de crack nesses locais, o estado do Rio está, no momento, sem nenhuma clínica onde tratar esses pacientes adultos.

As duas clínicas conveniadas com o estado do Rio, que ofereciam 180 vagas para internação de dependentes químicos no Rio, estão sem contrato com a Secretaria Estadual de Assistência Social desde o dia 19 de agosto. O problema não é só a impossibilidade de realizar novas internações: além de não internar quem é recolhido, os dependentes que estavam em tratamento receberam alta.

Uma das clínicas, ligada à Associação Nova Aliança, em Valença, mantém 18 pacientes dependentes de crack por conta própria na unidade. Já a clínica de Recuperação Michele de Morais, em Santa Cruz, deu alta aos pacientes no fim de agosto. O problema não ocorre por inexistência de verba, mas a falta de uso do dinheiro disponível. VEJA apurou que, até outubro deste ano, o governo do estado havia empenhado apenas 10 milhões de reais dos 29 milhões previstos no orçamento para enfrentar o crack e outras drogas. O que foi efetivamente destinado é apenas 34% do que foi reservado para o ano. As informações estão no Sistema de Administração Financeira de Estados e Municípios (Siafem).

O combate à mais mortal das drogas não é simples. E mesmo com todos os recursos, os profissionais que lidam com dependência química relatam a dificuldade de recuperar os usuários das pedras, vendidas por poucos reais em bocas de fumo espalhadas por cidades do Brasil inteiro.
Desde o último domingo, 259 usuários foram retirados das ruas, mas muitos voltam sem se submeter a qualquer tratamento. Na manhã desta quarta-feira, em meia hora, a Secretaria Municipal de Assistência Social Recolheu 30 dependentes – muitos tinham migrado da cracolândia do Jacarezinho para uma nova cracolândia no Parque União, na altura de Bonsucesso.

O crack recebeu destaque no discurso de posse da presidente Dilma Rousseff. A previsão do governo federal é de, até 2014, investir 4 bilhões de reais em programas de prevenção, tratamento e combate ao tráfico do crack.
Crianças - O município do Rio foi o primeiro a instituir, por decreto, a internação compulsória de menores de idade diagnosticados como dependentes do crack. A prefeitura fez valer, com a medida, o papel constitucional do município de zelar pela infância. Para internar um dependente contra sua vontade em um dos abrigos públicos, basta que a equipe de assistência social identifique que o menor não tem endereço ou responsável localizável. Os abrigos receberam críticas da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa e do Conselho Regional de Psicologia, por não apresentarem condições adequadas para o tratamento dos menores. ( Veja )





Jovem foi condenado após deixar cão quase morrer de desnutrição.

Um homem que permitiu que seu cachorro de estimação ficasse com metade do peso considerado ideal foi proibido de ter animais de estimação por cinco anos, após uma investigação conduzida pela Sociedade Protetora dos Animais da Escócia (SPCA, na sigla em inglês).

cão , antes e depois do tratamento

De acordo com o site da entidade, Edward McNeill, de 22 anos, foi considerado culpado pela delegacia do condado de Paisley, em Ferguslie Walk, de causar sofrimento desnecessário em seu cão de 6 anos, não dando ao animal alimentação adequada e nem cuidados veterinários.

O jovem foi condenado na última terça a 100 horas de trabalho comunitário. Segundo a política, o cão de McNeill, chamado Snoop, estava em condições extremas de desnutrição quando agentes foram até a casa do rapaz, em março.
Os policiais levaram o cão para um veterinário antes de entrar em contato com a SPCA.

“Snoop estava extremamente magro, pesando apenas 7,8 kg, quando o peso ideal seria de 16 kg”, disse o chefe da investigação da entidade, Hamish Mackintosh. “O veterinário deu a ele um índice de massa corpórea zero, numa escala em que zero significa desnutrido e 5, obeso.”

De acordo com a entidade, caso Snoop não tivesse sido descoberto pela polícia, ele poderia ter morrido em dias de desnutrição.



Suicídio coletivo de 170 índios no Brasil.



quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Carta da comunidade Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay-Iguatemi-MS para o Governo e Justiça do Brasil .
Nós (50 homens, 50 mulheres e 70 crianças) comunidades Guarani-Kaiowá originárias de tekoha Pyelito kue/Mbrakay, viemos através desta carta apresentar a nossa situação histórica e decisão definitiva diante de da ordem de despacho expressado pela Justiça Federal de Navirai-MS, conforme o processo nº 0000032-87.2012.4.03.6006, do dia 29 de setembro de 2012. Recebemos a informação de que nossa comunidade logo será atacada, violentada e expulsa da margem do rio pela própria Justiça Federal, de Navirai-MS.

Assim, fica evidente para nós, que a própria ação da Justiça Federal gera e aumenta as violências contra as nossas vidas, ignorando os nossos direitos de sobreviver à margem do rio Hovy e próximo de nosso território tradicional Pyelito Kue/Mbarakay. Entendemos claramente que esta decisão da Justiça Federal de Navirai-MS é parte da ação de genocídio e extermínio histórico ao povo indígena, nativo e autóctone do Mato Grosso do Sul, isto é, a própria ação da Justiça Federal está violentando e exterminado e as nossas vidas.

Queremos deixar evidente ao Governo e Justiça Federal que por fim, já perdemos a esperança de sobreviver dignamente e sem violência em nosso território antigo, não acreditamos mais na Justiça brasileira. A quem vamos denunciar as violências praticadas contra nossas vidas? Para qual Justiça do Brasil? Se a própria Justiça Federal está gerando e alimentando violências contra nós.

Nós já avaliamos a nossa situação atual e concluímos que vamos morrer todos mesmo em pouco tempo, não temos e nem teremos perspectiva de vida digna e justa tanto aqui na margem do rio quanto longe daqui. Estamos aqui acampados a 50 metros do rio Hovy onde já ocorreram quatro mortes, sendo duas por meio de suicídio e duas em decorrência de espancamento e tortura de pistoleiros das fazendas.

Moramos na margem do rio Hovy há mais de um ano e estamos sem nenhuma assistência, isolados, cercado de pistoleiros e resistimos até hoje. Comemos comida uma vez por dia. Passamos tudo isso para recuperar o nosso território antigo Pyleito Kue/Mbarakay. De fato, sabemos muito bem que no centro desse nosso território antigo estão enterrados vários os nossos avôs, avós, bisavôs e bisavós, ali estão os cemitérios de todos nossos antepassados.

Cientes desse fato histórico, nós já vamos e queremos ser mortos e enterrados junto aos nossos antepassados aqui mesmo onde estamos hoje, por isso, pedimos ao Governo e Justiça Federal para não decretar a ordem de despejo/expulsão, mas solicitamos para decretar a nossa morte coletiva e para enterrar nós todos aqui.

Pedimos, de uma vez por todas, para decretar a nossa dizimação e extinção total, além de enviar vários tratores para cavar um grande buraco para jogar e enterrar os nossos corpos. Esse é nosso pedido aos juízes federais. Já aguardamos esta decisão da Justiça Federal. Decretem a nossa morte coletiva Guarani e Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay e enterrem-nos aqui. Visto que decidimos integralmente a não sairmos daqui com vida e nem mortos.

Sabemos que não temos mais chance em sobreviver dignamente aqui em nosso território antigo, já sofremos muito e estamos todos massacrados e morrendo em ritmo acelerado. Sabemos que seremos expulsos daqui da margem do rio pela Justiça, porém não vamos sair da margem do rio. Como um povo nativo e indígena histórico, decidimos meramente em sermos mortos coletivamente aqui. Não temos outra opção esta é a nossa última decisão unânime diante do despacho da Justiça Federal de Navirai-MS.

Atenciosamente, Guarani-Kaiowá de Pyelito Kue/Mbarakay

Postado por Blog APIB às 18:23

Número menor de alunos em aula.

Senado aprova lei que reduz número de alunos em aula . No Ensino Médio, onde as turmas da rede estadual têm até 60, o máximo seria de 35. Se sancionada, regra valerá já para 2013

As salas de aula das redes municipal e estadual do Rio poderão ter de cortar até quase pela metade o número de carteiras. Projeto de lei aprovado nesta terça-feira pela Comissão de Educação do Senado determina que as turmas dos 1º e 2º anos do Ensino Fundamental tenham no máximo 25 alunos e dos demais anos e Ensino Médio, 35.

A realidade fluminense é bem diferente. No estado, chega-se a 60 estudantes numa sala de aula. “É ótima iniciativa, mas ainda tímida.

O exemplo de que quantidade menor de alunos em turma pode produzir bons resultados é a Escola Sesc de Ensino Médio em Jacarepaguá. Com até 15 alunos por sala horário integral, ficou entre as 10 melhores do Rio no Enem 2010.

O projeto segue para a Câmara e, depois, à sanção da Presidência. Se aprovado, valerá para todo o país já no próximo ano letivo.



segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Por que a TV Globo foi liberada pelo TRE - RJ e não vai transmitir o horário eleitoral do Segundo Turno ?


14/10/2012 20:57


Muita gente nem se deu conta, mas a propaganda eleitoral no rádio e na televisão recomeçou ontem (sábado), nas cidades onde haverá 2º turno. Aqui no nosso estado teremos 2º turno em São Gonçalo, Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Belford Roxo, Niterói, Petrópolis e Volta Redonda.


A legislação eleitoral é clara, as emissoras de rádio e televisão abertas, por serem concessões públicas são obrigadas a transmitir a propaganda eleitoral. No entanto aqui no Estado do Rio, a TV Globo foi liberada pelo TRE - RJ sob alegação de que transmitiu a propaganda da cidade do Rio de Janeiro onde não haverá 2º turno.

Ora, todos sabem que houve uma distribuição entre os 7 canais abertos, um transmitindo a propaganda de determinada cidade, para que os maiores colégios eleitorais tivessem espaço na televisão, e não apenas a capital. Se em algumas cidades como o Rio de Janeiro a eleição foi decidida no 1º turno, isso não isenta a TV Globo de transmitir a propaganda (a CNT também se beneficiou sob alegação de não haverá 2º turno em São João de Meriti), afinal teremos 2º turno em 5 cidades do Grande Rio, área abrangida pela emissora líder de audiência.

Bem, o fato é que a Globo deve estar muito agradecida ao TRE - RJ. Suas concorrentes mais próximas, SBT, Record e Bandeirantes terão que transmitir o horário de propaganda eleitoral na hora do almoço e de noite, enquanto a Globo exibirá a sua programação normal e vai fazer a festa no IBOPE. ( Blog do Garotinho )



Participação dos pais é decisiva na educação !

Pesquisa reafirma posição de que família tem papel decisivo no desempenho acadêmico dos filhos. Mas atenção: qualidade da escola também importa.


Um estudo divulgado nesta semana reforça o conceito de que o ambiente familiar é determinante no desempenho escolar de crianças e jovens. De acordo com a pesquisa, realizada pela Universidade da Carolina do Norte, estudantes que frequentam escolas fracas mas são acompanhados de perto pelos pais obtêm desempenho superior ao de crianças matriculadas em boas escolas cujos pais pouco conhecem suas atividades acadêmicas.

O estudo contou com a participação de 10.000 jovens de 18 anos. Os cientistas avaliaram primeiramente o papel das famílias: o quanto os pais confiavam em seus filhos, o grau de envolvimento deles nas atividades escolares, com que frequência checavam os deveres de casa do filho e se costumavam comparecer a eventos escolares.

Em um segundo momento, as instituições de ensino foram avaliadas segundo a qualidade de seus professores, o conceito que os alunos têm da escola, a variedade de atividades esportivas e extracurriculares e a frequência com que são reportados casos de bullying e outros tipos de abuso. Posteriormente, os resultados foram cruzados com o desempenho escolar de cada um dos estudantes em matemática, leitura, ciência e história.

"Os resultados apontam que o ambiente familiar influencia mais no sucesso acadêmico do que o ambiente escolar", diz Toby Parcel, professora de sociologia e uma das autoras do estudo. "Não estamos sugerindo que a qualidade da escola seja totalmente desprezível, mas queremos alertar para a importância dos pais no processo educativo", diz Parcel.

Para os autores da pesquisa, os pais devem estar conscientes de que investir tempo e dinheiro em um escola de ponta pode não ser o suficiente para garantir o sucesso dos filhos. "Ao acompanhar o dever de casa ou ir às reuniões escolares, os pais mostram aos pequenos que a escola é importante para toda a família e precisa ser levada a sério", diz Parcel.

O estudo foi publicado na edição mais recente do periódico Research and Social Stratification and Mobility e reafirma as evidências de que a família é fundamental no sucesso acadêmico de um indivíduo. Já está provado que pais leitores criam filhos leitores e quanto mais os responsáveis se envolvem com a escola, mais comprometida a criança é com seus afazeres acadêmicos. É sabido também que os pais não precisam dominar todo o conteúdo que é ensinado pela escola: ainda que não tenham frequentado os bancos escolares, eles podem estimular as crianças a se dedicarem aos deveres com afinco.
A pesquisa deixa claro, contudo, que uma boa escola também importa no processo de formação acadêmico das crianças. Mais do que isso: é fundamental.

" Não me comovo com má poesia " : Reinaldo azevedo .

15/10/2012


às 7:05

Sim, acompanhei cada VERSO da “ocupação” de Manguinhos e Jacarezinho, no Rio. Não me comovo com má poesia!

É claro que eu vi na televisão a operação de “pacificação” do Complexo de Manguinhos e da favela do Jacarezinho, no Rio. Acompanhei cada verso! Sim, leitores, falo em “verso” porque, em matéria de UPP e José Mariano Beltrame, boa parte da imprensa, especialmente a televisão, prefere a poesia — e poesia de péssima qualidade — ao jornalismo. Ontem, houve até reportagem que terminou com crianças sorrindo. Quando a imprensa apela a um clichê, ou não tem o que informar ou tem o que esconder. É batata!

Os policiais chegaram, os bandidos evaporaram, e Beltrame concedeu uma entrevista coletiva em que exaltou o ambiente de paz em que tudo se deu. Já são 30 “comunidades” — “favela”, agora, só em São Paulo! — “pacificadas”. Parece haver pouco mais de 1.200. Entendo. O importante é começar.

Ao exaltar a paz da ocupação, entendi que a bandidagem deu no pé. Dali, foi para algum outro lugar, aonde a “pacificação” ainda não chegou. Cinco traficantes pés de chinelo foram presos. Os chefões do tráfico sumiram. Mas o Rio, aquele pedaço ao menos, segundo entendi, voltou a sorrir.

Se um dia o Rio conseguir espantar todos os seus bandidos, os estados fronteiriços é que terão problemas, não é mesmo?

Não! Não venham me pedir versos. Não que não goste deles ou que já não os tenha até mesmo cometido. É que prefiro, nesses casos, a lógica. Os bandidos que Beltrame não prende ficam soltos. Como não mudam de ramo, apenas de rumo, vão fazer vítimas em outro lugar. Como sou um cara bacana, aceito que tentem provar que estou errado.

Por Reinaldo Azevedo

Comunidade mais pobre de Manguinhos pede remoção da beira de rio.

Os moradores da Comunidade Agrícola, considerada a mais pobre do Complexo de Manguinhos, na zona norte do Rio, pedem ajuda para deixar o local. Embaixo de um viaduto da Linha Amarela, à beira do Rio Faria-Timbó, eles aguardam que novas ações venham depois da ocupação policial de hoje (14), que vai resultar na instalação da 29ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).
São cerca de 250 pessoas habitando pequenos barracos de madeira, separados por apenas 0,5 metro de calçada do rio, onde o perigo para as crianças é constante, principalmente quando chove e a água ameaça invadir as residências. “Já entrou mais de 1,5 metro na minha casa. Nesses dias, fui mordida por um rato e precisei ir para o hospital tomar injeção”, contou Edinéia Rodrigues da Silva, que mora com os dois filhos à beira do rio.

“Isto aqui enche e aí os ratos saem. Minha casa não tem esgoto. É difícil criar as crianças, porque é um lugar muito contaminado. O meu filho vive machucado e resfriado”, reclamou a dona de casa Joice Santos Silva, que trabalha implantando cabelos em domicílio e tem dois filhos pequenos.

Enquanto o rio é problema para muitos, para outros é a solução. O catador Jéferson de Souza Lopes caminha ao longo do Faria-Timbó em busca de garrafas pet que recolhe e depois vende, a R$ 1 o quilo. "Por dia, consigo juntar uns 25 quilos", disse ele, fazendo seu trabalho, praticamente alheio à operação policial.

“Eu gostaria de receber ajuda para sair daqui o mais rápido possível. A gente está praticamente abandonado”, protestou Ricardo Vieira Gomes, que atua em obras, mas atualmente está trabalhando em um pequeno bar na comunidade.

“Eu vim do Rio Grande do Norte para a casa de um parente, que depois nos abandonou. Acabamos aqui nesta invasão, onde já estamos há um ano e seis meses. Ficamos esquecidos por todos. Estamos em estado de calamidade, precisamos que as autoridades nos ajudem, nos paguem um aluguel social ou nos coloquem em um apartamento do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]”, pediu Robério Raimundo da Silva, que trabalha como vigilante de banco.

“Eles falam de pacificação, mas também não é só isso. Tem que retirar as pessoas daqui, para viver uma vida digna. As crianças ficam todas por aí, no meio da rua e do esgoto e nada é solucionado”, reclamou a manicure Dayse de Souza.
Para a costureira Rosimere Conceição Vitória, a dificuldade maior é conseguir água para beber, que ela apanha em uma bica. "Quando chega o verão não cai um pingo", disse ela.

Um dos casos mais graves é o da aposentada Maria das Neves Félix de Lima, operada recentemente de um câncer na boca e que habita um pequeno barraco embaixo do viaduto. “Eu ganho um salário mínimo de aposentadoria, mas nem todos os remédios recebo de graça. Alguns tenho de comprar, quando dá muita dor, e não tenho dinheiro”, lamentou Maria das Neves, com dificuldade para falar.

O líder comunitário Rogério Araújo da Silva ajuda os moradores da Comunidade Agrícola com o projeto social Alimentando Uma Esperança, instalado na Favela Varginha, também ocupada pela polícia. Ele ajuda a mobilizar os moradores em busca de melhorias e oferece serviços e aulas de informática.

“O projeto começou com moradores de rua e dependentes químicos e agora se estendeu para a comunidade. Eu dou banho, corte de cabelo e roupas limpas. Agora, estou buscando ajuda com parceiros para oferecer cursos profissionalizantes e de inglês. Com a pacificação, eu penso que o governo vai começar a olhar para o lado de cá, para esse povo que estava abandonado e a mercê de tantos riscos.”