segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Não à privatização da Saúde no Rio !


O Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (CREMERJ) obteve, no dia 24/2/2011, uma liminar que suspendeu o processo de licitação para contratação de Organizações Sociais (OSs) para a gestão das principais emergências da Cidade que seria realizada no dia 25/02. O Secretário Municipal de Saúde alega que "as OSs são a única alternativa para resolver o problema da Saúde Pública no Município do Rio".

"Não acreditamos que esse modelo de transferência de gestão dos serviços públicos de saúde para a iniciativa privada seja a única alternativa para viabilizar atendimento de qualidade nas emergências", afirmou o Presidente do CREMERJ.

"O caminho para a solução dos problemas da Saúde Pública é o concurso com salários dignos e não alternativas temporárias", acrescentou.

Ao abrirmos os jornais, não encontramos nenhuma nota a respeito desse tema. Nem mesmo em telejornais isso foi informado ao público. Por que a Mídia não deu destaque a essa decisão judicial ? Que interesses estão sendo guardados a sete chaves? Saúde Pública no Rio de Janeiro não é matéria para Jornalismo ? A falta de médicos em diversas especialidades, a má gestão de hospitais, os escândalos de superfaturamentos, o aumento de incidência de diversas doenças como dengue, a morte de pacientes por falta de atendimento, a superlotação nos corredores das unidades de saúde e a falta de equipamentos, a implementação de um plano de carreira atrativo e salários compatíveis só podem ser resolvidos pelas OSs?

Há serviços em que o Poder Público tem a obrigação de prestar atendimento de qualidade à população, tendo em vista os elevados impostos que pagamos, pelo menos para tentar justificar essa abusiva cobrança. Não temos retorno em Educação Pública, em saúde Pública nem em outros serviços essenciais. No Brasil, a maioria das privatizações só trouxe benefícios para o lado que privatizou (Governo e empresários). O bom e atual exemplo é o da Supervia que apresenta trens em mau estado de conservação, atrasos, trens que se locomovem por 9 km sem maquinista no comando, truculência dos seguranças, pancadaria etc.

A concorrência entre a iniciativa privada e o setor público é saudável para os usuários. Além do mais, há muitas denúncias em relação aos procedimentos de muitas ONGs e OSs. Privatizar é transferir responsabilidade de gestão, pois o controle nunca é igual ao que seria se fosse puramente público. Os escândalos sobre superfaturamento em serviços prestados por essas entidades já nos servem de alerta...



domingo, 27 de fevereiro de 2011

Brasil exporta carne à custa de trabalho escravo ?

Brasil exporta carne à custa de trabalho escravo ?


Em 1995, o Brasil assumiu , perante a Organização das Nações Unidas (ONU), a ocorrência de formas contemporâneas de TRABALHO ESCRAVO em seu território. Entretanto, não é só o Brasil que apresenta a ESCRAVIDÃO MODERNA , como mais um flagelo da Humanidade. As instituições Internacionias que estudam o assunto estimam em mais de 27 milhões o número de pessoas escravizadas ou reduzidas à condição análoga à escravidão no Mundo. Em todos os continentes , mulheres e crianças são capturadas e exploradas como escravas. Essas mesmas instituições consideram que o número de escravizados hoje corresponde a mais que o dobro do número alcançado nos 400 anos da história do tráfico transatlântico com a América.

O tráfico de seres humanos é , depois das drogas e das armas , a terceira fonte de lucros da criminalidade. Todos os grupos étnicos são vítimas , mas a preferência repousa sobre as crianças ( tráfico de órgãos) e mulheres (prostituição).

Em relação ao nosso País, estima-se que cerca de 25 mil brasileiros ingressam no abominável mundo do trabalho escravo por ano , sem perspectiva de saída. Uma modalidade bem comum no Brasil é o mecanismo de SERVIDÃO POR DÍVIDA. Nela, ocorrem degradantes condições de trabalho e de moradia, além de privação de liberdade. A grande fonte de recrutamento fácil são os bolsões de miséria extrema no País, que não oferece nenhuma alternativa de emprego e renda. Aí se encontra mão de obra barata e pouco qualificada. Milhares de pessoas, em razão da pobreza, migram , a cada ano, do Nordeste e do Norte para as fazendas do Sudeste, do Sul e do Centro Oeste , em busca de oportunidades de trabalho, deixando para trás suas famílias , iludidas pelas promessas mentirosas de emprego e de melhores dias. O aliciamento é fácil nesse campo fértil e frágil ,sendo explorado por empresas de turismo de fachada que não passam de transportadoras clandestinas de trabalhadores.

Chegando às fazendas, vão trabalhar em corte de cana , no desmatamento de áreas para implantação de pastos , na colheita de algodão, de café e de frutas ou em minas de carvão.Todas as atividades em condições subumanas.A partir daí, percebem que foram iludidos. Ficam alojados em barracões de lona preta e chão batido, sem nenhuma proteção contra insetos, chuvas, cobras etc. Cobram-lhes a estada, a comida de péssima qualidade , a bebida e os equipamentos de proteção individual.Tudo isso é adquirido pelos trabalhadores nas cantinas das próprias fazendas. Os empregadores (exploradores) anotam o que é comprado e atribuem valores inflacionados.No final do mês, os trabalhadores( escravos ) acumularam dívidas com seus patrões de modo que ficam prisioneiros desses compromissos financeiros.

Diferentemente do que aconteceu com a escravidão antiga, cujas maiores vítimas eram os negros , hoje , além dos negros, brancos, pardos, amarelos , descendentes de europeus , mulheres e crianças sofrem nas lavouras de todo o País. Os empregadores que utilizam mão de obra escrava são , quase sempre, grandes latifundiários , alguns deputados federais e estaduais, senadores e ,por mais paradoxal que possa parecer, até membros do Judiciário . Para nossa tristeza , é a mão de obra escrava a grande responsável pela posição do Brasil como maior produtor e exportador de carne bovina no Mundo.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Dengue, de novo?

Dengue, de novo ?


Assim como sabemos que as chuvas , no período de novembro a março, provocam ,em todos os anos, catástrofes no Rio de Janeiro e em outros estados, mas nada ou muito pouco é feito pelos governantes para evitar,temos ciência de que a dengue volta sempre que os mosquitos vetores Aedes aegypti contaminados por diferentes tipos de vírus se reproduzem. É uma doença transmitida por esse díptero que se reproduz em águas paradas.

Se houvesse interesse em promover uma verdadeira e eficaz política de sáude preventiva, os índices cairiam e a doença poderia ser erradicada. Segundo o próprio Ministério da Saúde , a epidemia de dengue já atinge todo o Brasil nesse verão. Só em 2011, já são mais de 26 mil casos registrados. No Rio de Janeiro, o número triplicou, se comparado com 2010. O Estado já registra 437 % de aumento de casos de dengue em janeiro e fevereiro. Foram 485 casos no primeiro mês do ano. O número de notificações certamente não é real , porque, em muitos casos , há falha no diagnóstico ou a pessoa não notifica às autoridades dos postos de saúde.

Há especialistas que temem a volta do Vírus tipo 1 da doença que, neste ano, já foi isolado em Paraty, Angra dos Reis, Campos e Natividade e que causou , em 1986, uma forte epidemia e não circulava desde o início da década de 90, razão pela qual todos os que nasceram depois desse período não têm imunidade contra ele. Há, por outro lado, especialistas que se preocupam com o Vírus tipo 4, já detectado no Norte do País e se constitui numa enorme ameaça.

De qualquer forma , a prevenção não depende apenas de shows artísticos, depoimentos de ministros na TV e outras intervenções pontuais . O ataque ao problema deve ser contínuo e sem tréguas. Deve-se criar uma "cultura anti dengue" nas pessoas. Desde os primeiros anos de vida, as crianças devem ser alertadas para as medidas profiláticas e sobre as consequências que a doença provoca. Isso deve estar enraizado no dia-a -dia de cada um. Para isso, os adultos e, principalmente as autoridades públicas devem cuidar para dar bons exemplos, como evitar que terrenos da Prefeitura , do governo do Estado e do Governo Federal acumulem materiais que sirvam como criadouros de mosquitos. Se assim não for, não há como convencer as crianças e muito menos os adultos a se integrarem no processo de combate ao inseto vetor.