sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Banco Imobiliário de Eduardo Paes leva um " revés".


Professores municipais reprovam o jogo do prefeito, com programas e obras da atual gestão. Na Câmara, oposição reage e cobra informções à prefeitura

A brincadeira da Prefeitura do Rio, que lançou uma versão especial do jogo Banco Imobiliário divulgando as obras de Eduardo Paes e distribuindo 20 mil exemplares a escolas municipais, está sendo reprovada até mesmo por profissionais de Educação da rede pública carioca, além de pedagogos de outros estados.

Escolas da Zona Norte que receberam o jogo fizeram críticas. Há professores e diretores que decidiram não utilizá-lo como material pedagógico ou recreativo.

“Achamos inadequado. Não só pela questão política, mas também pelos erros de informação, como dizer que o valor de um imóvel em Deodoro é maior do que em Copacabana ou na Barra”, criticou a coordenadora pedagógica de uma das escolas, que pediu anonimato por medo de represálias.




A diretora de um Ciep até elogiou a ideia de mostrar um Rio contemporâneo, mas não o resultado final. “Parece que a cidade foi criada pelo prefeito. Vai acabar causando uma confusão na cabeça dos alunos, ainda mais os nossos, que estudam numa escola conhecida como Brizolão. Como fazer?”, brincou.










Paes não fala

A assessoria do prefeito alegou que ele não pôde falar sobre o tema por estar viajando. A prefeitura não vê o jogo como propaganda pessoal de Paes, mas da “cidade do Rio de Janeiro, que vive um momento especial com a Copa e as Olimpíadas”.

A reação dos vereadores ao jogo foi de surpresa e indignação após a notícia divulgada nesta quinta-feira pelo DIA. Eliomar Coelho e Paulo Pinheiro, do Psol, exigiram que a Câmara solicite à Secretaria de Educação informações sobre o projeto, quem o aprovou, custo e objetivos.

“É uso indevido de dinheiro público para uma canalhice. Ou a gente começa a reagir a esses desmandos ou estamos perdidos”, disse Eliomar.

Mãe de estudante critica falta de uniforme no Twitter da secretária

A polêmica em torno da distribuição do jogo nas escolas cariocas ganhou as redes sociais e foi um dos assuntos mais debatidos ontem pelos internautas. No site IberoAmerica, que reúne as notícias mais comentadas nos países latinoamericanos, o lançamento do jogo foi um dos principais destaques entre as notícias sobre o Brasil.

O gasto da prefeitura foi criticado por pais de alunos no twitter da Secretária Municipal de Educação, Cláudia Costin. Uma mãe identificada como Jaqueline reclamou da falta de uniforme. “Meu filho só ganhou uma camisa, antes eram duas e até bermuda. E ainda pediram caderno”.

No jogo, imóvel em Deodoro é mais caro que um na Barra da Tijuca .

“No Banco Imobiliário Cidade Olímpica vai ser permitido superfaturamento? E quantas prisões ele terá?”, postou a internauta LilyWonderland. A crítica também veio em tom de brincadeira. “Caiu na crackolandia, volte duas casas”, postou outro.

"Objetivo é atingir família dos alunos"

A estratégia eleitoral de fazer propaganda política junto ao público infantil foi alvo de discussões na Universidade de São Paulo (USP). “As crianças deveriam ser poupadas desse jogo político que as transformam em peças com o único objetivo de atingir as famílias”, analisa Cristiano Luis Lenzi, doutor em Ciências Sociais pela USP.

Segundo ele, cada vez mais os governos adotam táticas para antecipar campanhas de olho na reeleição. “É uma apropriação irresponsável dos recursos do estado”, afirmou Lenzi.

O Sindicato dos Professores (Sepe) questionou o uso pedagógico do jogo. “O que um aluno vai aprender calculando quanto lucro ele pode ter adquirindo uma Clínica da Família ou cobrando pedágio na Transoeste?”, disse em nota, criticando os baixos salários da categoria e as condições de trabalho nas escolas. ( Fonte : Dia)