segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Participação dos pais é decisiva na educação !

Pesquisa reafirma posição de que família tem papel decisivo no desempenho acadêmico dos filhos. Mas atenção: qualidade da escola também importa.


Um estudo divulgado nesta semana reforça o conceito de que o ambiente familiar é determinante no desempenho escolar de crianças e jovens. De acordo com a pesquisa, realizada pela Universidade da Carolina do Norte, estudantes que frequentam escolas fracas mas são acompanhados de perto pelos pais obtêm desempenho superior ao de crianças matriculadas em boas escolas cujos pais pouco conhecem suas atividades acadêmicas.

O estudo contou com a participação de 10.000 jovens de 18 anos. Os cientistas avaliaram primeiramente o papel das famílias: o quanto os pais confiavam em seus filhos, o grau de envolvimento deles nas atividades escolares, com que frequência checavam os deveres de casa do filho e se costumavam comparecer a eventos escolares.

Em um segundo momento, as instituições de ensino foram avaliadas segundo a qualidade de seus professores, o conceito que os alunos têm da escola, a variedade de atividades esportivas e extracurriculares e a frequência com que são reportados casos de bullying e outros tipos de abuso. Posteriormente, os resultados foram cruzados com o desempenho escolar de cada um dos estudantes em matemática, leitura, ciência e história.

"Os resultados apontam que o ambiente familiar influencia mais no sucesso acadêmico do que o ambiente escolar", diz Toby Parcel, professora de sociologia e uma das autoras do estudo. "Não estamos sugerindo que a qualidade da escola seja totalmente desprezível, mas queremos alertar para a importância dos pais no processo educativo", diz Parcel.

Para os autores da pesquisa, os pais devem estar conscientes de que investir tempo e dinheiro em um escola de ponta pode não ser o suficiente para garantir o sucesso dos filhos. "Ao acompanhar o dever de casa ou ir às reuniões escolares, os pais mostram aos pequenos que a escola é importante para toda a família e precisa ser levada a sério", diz Parcel.

O estudo foi publicado na edição mais recente do periódico Research and Social Stratification and Mobility e reafirma as evidências de que a família é fundamental no sucesso acadêmico de um indivíduo. Já está provado que pais leitores criam filhos leitores e quanto mais os responsáveis se envolvem com a escola, mais comprometida a criança é com seus afazeres acadêmicos. É sabido também que os pais não precisam dominar todo o conteúdo que é ensinado pela escola: ainda que não tenham frequentado os bancos escolares, eles podem estimular as crianças a se dedicarem aos deveres com afinco.
A pesquisa deixa claro, contudo, que uma boa escola também importa no processo de formação acadêmico das crianças. Mais do que isso: é fundamental.

" Não me comovo com má poesia " : Reinaldo azevedo .

15/10/2012


às 7:05

Sim, acompanhei cada VERSO da “ocupação” de Manguinhos e Jacarezinho, no Rio. Não me comovo com má poesia!

É claro que eu vi na televisão a operação de “pacificação” do Complexo de Manguinhos e da favela do Jacarezinho, no Rio. Acompanhei cada verso! Sim, leitores, falo em “verso” porque, em matéria de UPP e José Mariano Beltrame, boa parte da imprensa, especialmente a televisão, prefere a poesia — e poesia de péssima qualidade — ao jornalismo. Ontem, houve até reportagem que terminou com crianças sorrindo. Quando a imprensa apela a um clichê, ou não tem o que informar ou tem o que esconder. É batata!

Os policiais chegaram, os bandidos evaporaram, e Beltrame concedeu uma entrevista coletiva em que exaltou o ambiente de paz em que tudo se deu. Já são 30 “comunidades” — “favela”, agora, só em São Paulo! — “pacificadas”. Parece haver pouco mais de 1.200. Entendo. O importante é começar.

Ao exaltar a paz da ocupação, entendi que a bandidagem deu no pé. Dali, foi para algum outro lugar, aonde a “pacificação” ainda não chegou. Cinco traficantes pés de chinelo foram presos. Os chefões do tráfico sumiram. Mas o Rio, aquele pedaço ao menos, segundo entendi, voltou a sorrir.

Se um dia o Rio conseguir espantar todos os seus bandidos, os estados fronteiriços é que terão problemas, não é mesmo?

Não! Não venham me pedir versos. Não que não goste deles ou que já não os tenha até mesmo cometido. É que prefiro, nesses casos, a lógica. Os bandidos que Beltrame não prende ficam soltos. Como não mudam de ramo, apenas de rumo, vão fazer vítimas em outro lugar. Como sou um cara bacana, aceito que tentem provar que estou errado.

Por Reinaldo Azevedo

Comunidade mais pobre de Manguinhos pede remoção da beira de rio.

Os moradores da Comunidade Agrícola, considerada a mais pobre do Complexo de Manguinhos, na zona norte do Rio, pedem ajuda para deixar o local. Embaixo de um viaduto da Linha Amarela, à beira do Rio Faria-Timbó, eles aguardam que novas ações venham depois da ocupação policial de hoje (14), que vai resultar na instalação da 29ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).
São cerca de 250 pessoas habitando pequenos barracos de madeira, separados por apenas 0,5 metro de calçada do rio, onde o perigo para as crianças é constante, principalmente quando chove e a água ameaça invadir as residências. “Já entrou mais de 1,5 metro na minha casa. Nesses dias, fui mordida por um rato e precisei ir para o hospital tomar injeção”, contou Edinéia Rodrigues da Silva, que mora com os dois filhos à beira do rio.

“Isto aqui enche e aí os ratos saem. Minha casa não tem esgoto. É difícil criar as crianças, porque é um lugar muito contaminado. O meu filho vive machucado e resfriado”, reclamou a dona de casa Joice Santos Silva, que trabalha implantando cabelos em domicílio e tem dois filhos pequenos.

Enquanto o rio é problema para muitos, para outros é a solução. O catador Jéferson de Souza Lopes caminha ao longo do Faria-Timbó em busca de garrafas pet que recolhe e depois vende, a R$ 1 o quilo. "Por dia, consigo juntar uns 25 quilos", disse ele, fazendo seu trabalho, praticamente alheio à operação policial.

“Eu gostaria de receber ajuda para sair daqui o mais rápido possível. A gente está praticamente abandonado”, protestou Ricardo Vieira Gomes, que atua em obras, mas atualmente está trabalhando em um pequeno bar na comunidade.

“Eu vim do Rio Grande do Norte para a casa de um parente, que depois nos abandonou. Acabamos aqui nesta invasão, onde já estamos há um ano e seis meses. Ficamos esquecidos por todos. Estamos em estado de calamidade, precisamos que as autoridades nos ajudem, nos paguem um aluguel social ou nos coloquem em um apartamento do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]”, pediu Robério Raimundo da Silva, que trabalha como vigilante de banco.

“Eles falam de pacificação, mas também não é só isso. Tem que retirar as pessoas daqui, para viver uma vida digna. As crianças ficam todas por aí, no meio da rua e do esgoto e nada é solucionado”, reclamou a manicure Dayse de Souza.
Para a costureira Rosimere Conceição Vitória, a dificuldade maior é conseguir água para beber, que ela apanha em uma bica. "Quando chega o verão não cai um pingo", disse ela.

Um dos casos mais graves é o da aposentada Maria das Neves Félix de Lima, operada recentemente de um câncer na boca e que habita um pequeno barraco embaixo do viaduto. “Eu ganho um salário mínimo de aposentadoria, mas nem todos os remédios recebo de graça. Alguns tenho de comprar, quando dá muita dor, e não tenho dinheiro”, lamentou Maria das Neves, com dificuldade para falar.

O líder comunitário Rogério Araújo da Silva ajuda os moradores da Comunidade Agrícola com o projeto social Alimentando Uma Esperança, instalado na Favela Varginha, também ocupada pela polícia. Ele ajuda a mobilizar os moradores em busca de melhorias e oferece serviços e aulas de informática.

“O projeto começou com moradores de rua e dependentes químicos e agora se estendeu para a comunidade. Eu dou banho, corte de cabelo e roupas limpas. Agora, estou buscando ajuda com parceiros para oferecer cursos profissionalizantes e de inglês. Com a pacificação, eu penso que o governo vai começar a olhar para o lado de cá, para esse povo que estava abandonado e a mercê de tantos riscos.”